sábado, 7 de janeiro de 2017

Blogs sujos e notícias falsas

Seis agências de espionagem dos EUA acusam em relatório à Rússia de influenciar o resultado final das eleições presidenciais. Como? Roubo e vazamento de informações confidenciais, publicação de notícias falsas e a disseminação delas pelas redes sociais. Para os burocratas dos porões a vitória de Donald Trump foi uma fraude orquestrada do exterior. Agora os russos querem fazer o mesmo na Europa. Neste ano teremos eleições em vários países europeus, incluindo os principais da zona do Euro: Itália, França e Alemanha. Provas? Nenhuma. Relataram convicções. Não se pode negar que o MPF do Brasil faz escola ou estudou na mesma.

Alguém se lembra de reportagens mostrando o arsenal de armas de destruição em massa de Saddam Hussein? Os americanos invadiram, destroçaram e pilharam o Iraque, nada encontraram. Os espiões que acusavam o então ditador iraquiano são os mesmos que agora incitam a tirania escancarada em defesa da "imprensa livre", contra as manipulações que visam subverter a ordem democrática.

No Brasil os jornalistas que não seguem o esquema de doutrinação lesa-pátria através da imprensa são os blogueiros sujos, não obedecem o padrão gloebbels de qualidade. Agora no exterior assistimos ao nascimento das redes de notícias falsas. São todas aquelas que não repercutem com o mesmo viés as informações de interesse da elite política e econômica que controlam os países.

A União Europeia criou e está fortalecendo o StratCom, uma força tarefa especializada em monitorar o que é publicado. Políticos europeus pretendem com o seu serviço promover a liberdade de imprensa, livre de que eu me pergunto; recompensar a responsabilidade, ou garantir o monopólio das notícias aos grupos coligados; fechar os canais que divulgam desinformações, novo nome para a censura. Movimentações neste sentido já se iniciaram nos EUA. A mídia corporativa inclusive já fez a lista dos sites de notícias falsas. Se aqui no Brasil quem não segue o modelo de lavagem cerebral da Rede Globo é sujo, lá se não adota os parâmetros do New York Times, Washington Post, CNN, etc. é falsário.

Esta é uma questão que transcende a disputa direita versus esquerda. Os alvos preferenciais no momento, no exterior, nada têm de esquerdistas, talvez pela esquerda politicamente organizada e as ongs a ela ligadas trabalharem como linha auxiliar das elites governantes, como os europeus Syriza e Podemos. Sem esquecer o PT brasileiro. Aliás, se alguém for capaz de me dizer que o nome do partido do Pablo Iglesias não é a submissão ao "yes, we can", de Obama, eu agradeço.

Pressões estão sendo feitas contra as empresas que controlam os sites de interações pessoais (Facebook, Twitter, You Tube, etc.) para controlarem as postagens dos usuários. Uma censura relativamente fácil, bastando para isto à adequação dos logaritmos para a análise das palavras e as suas combinações. Uma busca automática dos textos, das imagens e dos vídeos inadequados. Por exemplo, dizer que a crise na Ucrânia é muito mais complexa que uma invasão expansionista russa do seu território, enquadra-se no que atualmente é uma falsa notícia para os padrões de Washington e Bruxelas. Análise que seria barrada no admirável mundo novo que planejam. 1984 está no horizonte.