domingo, 20 de novembro de 2016

Supremacia branca

A vitória de Donald Trump está servindo como catalisadora para ideologias da pior espécie. Não pelo homem em si, mas pelo simbolismo que passou a representar.

O processo eleitoral no principal país cria ondas que afetam todas as regiões do mundo. Embora economicamente continue no seu declínio relativo, mantém diplomática e militarmente o posto, no momento ainda inconteste, de única superpotência. O vencedor foi o candidato ruim, a principal derrotada era ainda pior. Hillary Clinton seria a exacerbação da agressividade externa de Bill Clinton e Bush Jr. Nesta questão Trump ainda é uma incógnita, apenas após a sua posse teremos noção do caminha que seguirá. Entre a certeza e a dúvida, prefiro esta última.

O discurso radical para o seu eleitorado fez com que várias vezes Donald Trump roçasse a fronteira do racismo. Disparando em todas as direções palavras que alimentam o preconceito, chegando muitas vezes próximo da linguagem de ódio. Isto passou a incentivar pessoas e grupos, que muito além do populismo eleitoral, realmente acreditam nestas ideias. Podem ser definidos majoritariamente como conservadores, na acepção clássica, e complementados por quem se diz liberal ou libertário. Todos com um traço em comum, acreditam no destino manifesto da tal sociedade ocidental judaico-cristã, seja lá o que isso for.

O discurso padrão não é à primeira vista supremacista, porém o faz de modo dissimulado. Isto já algum tempo. A partir de agora com maior intensidade. Como este twitter:


Testes aplicados 73 anos atrás, sem a sua exata contextualização, qual relevância possui hoje? O seu objetivo, Foi extraído de um estudo que considera que o mercado de trabalho competitivo anula a disparidade de renda motivada por preconceitos raciais: Discriminação e mobilidade ascendente dos asiáticos nos EUA. Assim justificando o hiato existente para com os negros.

Stefan Molyneux é uma celebridade nos meios liberais da internet, e algumas das suas posições alimentam os conservadores, No Brasil também, principalmente após um debate com o Vladimir Safatle, ocorrido há alguns anos. Utiliza basicamente a retórica, mas ao ir ao encontro das crenças dos ouvintes suas palavras tornam-se fatos incontestáveis. Como no vídeo A verdade sobre Nelson Mandela , de quase três anos atrás. Postado hoje num canal brasileiro do Youtube, dentre outras coisas defensor da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. Em mais de vinte minutos de falatório concluímos que para o Stefan o fim do apartheid, na África do Sul, foi um mal.

Não me enquadro no politicamente correto. Em alguns assuntos, poucos, sou tradicionalista, porém, o que tenho observando não é o ovo da serpente ser chocado: é continuar botando muitos ovos, como este. Os que não concordam com esta ideologia estão omissos, basicamente pelo medo. Trancam-se em seus guetos e conversam apenas com os seus iguais, fogem do confronto e cedem o terreno para a consolidação do horror. Do que têm medo? Serem chamados de esquerdistas, comunas ou petralhas complementados por outros adjetivos?