domingo, 3 de julho de 2016

Ruína

Os formadores de opinião da direita brasileira, do conservadorismo, do liberalismo, seja lá do que for é um balaio de gatos. Uma batalha de egos inflados, provavelmente pela combinação de metano e sulfeto de hidrogênio. Todos querem os despojos do petismo e afirmam a responsabilidade pela sua derrocada.

Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro, Reinaldo Azevedo, Silas Malafaia, Rodrigo Constantino, a molecada dos ditos movimentos de rua e pastores que fazem chapinha não diferem do Alexandre Frota e da Sara Winter. Alguns desejam aparecer e os demais uma participação com quem suceder.

A verdade que surge após estes dois anos de crise política é na realidade uma: o sistema político-partidário brasileiro e corrupto e está podre. Sem a sua total destruição não existe solução. Não importa o que dizem os citados ou os participantes da aliança interina. Não interessa o discurso boçal nato do Jair, o macarthismo do Carvalho e dos olavetes ou as palavras vazias dos demais. Nada disto alterará a realidade brasileira. Aliás, a tendência será o aprofundamento dos males nacionais.

O "estado a que chegamos", com o PT, não acabará com o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff. Retornaremos com ele à era anterior. Quem a viveu sabe como foi. É preciso avançar. O retrocesso perpetuará e aprofundará as mazelas conhecidas pelos que possuem quarenta anos ou mais. A não ser pelos cidadãos brancos, proprietários e da meia idade para cima, a maioria daqueles que foram às ruas nos últimos meses. Elementos que se beneficiavam no passado com as assimetrias da sociedade.

Acreditar que existe solução fora do embate político é lavar as mãos para a tirania. Não importa que sejam pessoas com aparência impoluta e honesta, pois todos são movidos por impulsos que no fim são políticos. O Brasil necessita além de eleições gerais, sem o dinheiro das empresas e com espaço igual livre na mídia, da convocação de uma nova Constituinte. O Estado criado pela Constituição de 1988 está morto. Confiar cegamente em quem veste toga ou recorrer à farda é abdicar da cidadania. Não existem reis filósofos que possam substituir a vontade do povo.