domingo, 10 de julho de 2016

O trabalho liberta

Na semana passada descobrimos que o Século XIX ainda não acabou. A plutocracia brasileira reunida com o vice-presidente em exercício da presidência da república, Michel Temer, planeja o retorno ao início da segunda revolução industrial. Pelo menos no que diz respeito aos trabalhadores.

Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, emula a FIESP pré era Vargas. Quando os grandes empresários paulistas eram contra a regulamentação da jornada de trabalho e das férias anuais remuneradas, dizendo, dentre outras aberrações escravagistas, que o período de descanso serviria apenas para a gentalha dar vazão aos seus mais baixos instintos. Para eles o trabalhador deveria estar constantemente exercendo o seu ofício, caso contrário retornaria à condição primitiva inerente às classes inferiores, assim por eles consideradas.

O Brasil da conjuração empresarial-evangélica é uma distopia que se materializa. O clamor da classe média midiotizada pelo fim da quimérica corrupção nascida com o PT, entregou os destinos do país a um grupo que sequer pode ser considerado retrógrado. Afinal nunca caminharam para a frente. Permaneceram presos aos tempos de antanho. Culturalmente subordinada à interpretação bíblica dos mercadores da fé. Economicamente dependente dos desígnios dos barões ladrões. A fala do presidente da Confederação Nacional da Indústria e o que diz gente como Silas Malafaia estão no mesmo estrato arqueológico.

O discurso bíblico da obediência, seja aos pastores, patrões e autoridades, é utilizado para encabrestar os evangélicos. Produzindo frutos podres como o deputado Eduardo Cunha. Ao mesmo tempo em que auxilia outros políticos defensores dos interesses econômicos dos empresários. Embora nem todos falem em nome de Deus, o resultado final é o mesmo. Unem-se na luta contra os seus próprios direitos a turma da Bíblia e a da Globo News. Alguns movidos pela lavagem cerebral nos templos, outros pelo que emana dos monitores.

O comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes ao solo tornar-se-á realidade no Brasil. As alterações propostas na legislação trabalhista e previdenciária fará com que o trabalho liberte. Libertará o empregado da qualidade mínima de vida e da aposentadoria.