segunda-feira, 18 de julho de 2016

Golpe militar

Os militares que tentaram o golpe na Turquia e as típicas classes média e alta brasileiras possuem a mesma visão, vitória em eleições não legitima o governante. Somente quando favoráveis aos seus interesses podem exercer o poder. Claro que existem algumas exceções aqui, mas nos últimos tempos claramente minoritárias.
Pouco se sabe sobre a conspiração. Apenas que foi um fracasso. O efeito imediato da intentona é o fortalecimento do presidente Erdogan. Aliás, por quem não tenho a menor simpatia. Jamais votaria em algum político com as mesmas características para a presidência, ainda mais sabendo que poderia ser o vitorioso. Para mim ele consegue reunir no mesmo indivíduo o que de pior existe nos deputados Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano: totalitarismo e fanatismo.
Sempre que um assunto desperta a minha atenção, concentro-me mais nos comentários dos leitores que no texto jornalístico. Neste caso também foi o que fiz. O resultado não me surpreendeu. A quase totalidade dos coxinhas ficou ao lado dos golpistas. Não importando que há menos de dois anos Erdogan tenha sido eleito com mais de 50% dos votos. Como são fascinados por uma farda. Uma verdadeira fascinação.
Neste caso não importa o atroz histórico do presidente turco e do seu partido. Até porque muitos dos seus excessos são comuns aos governos daquele país. Principalmente a repressão contra as minorias étnicas, especialmente a curda. A questão da laicidade também não esteve presente, a oposição laica em nenhum momento fez qualquer menção de apoiar os golpistas. Inclusive para o governo o inspirador foi um clérigo islâmico, Fethullah Güllen, atualmente em autoexílio nos EUA. Uma espécie de Olavo de Carvalho 3.0.

O natimorto golpe bruto contra o governo turco traz semelhanças com o quase vitorioso suave daqui, comandado por Michel Temer. Ao invés de caças, helicópteros, tanques e soldados temos a imprensa familiar, promotores e juízes. Sempre instituições e pessoas que representam apenas a si próprias. Em ambos os casos a tomada do poder por quem não possui méritos para conquistá-lo através dos votos do povo.