sábado, 25 de junho de 2016

Saída pela direita?

Os britânicos, ingleses principalmente, decidiram abandonar a União Europeia e o choro é livre. As mais amargas lágrimas são dos seguidores do deus mercado e da esquerda pós-bolchevique. Como borram a maquiagem! Os primeiros por temor de restrições ao livre e destrutivo trânsito de capital, os seguintes por não terem uma proposta decente para esta realidade. Os dois grupos apontam dedos acusadores à direita e ao nacionalismo, como se o projeto europeu fosse um avanço nas relações humanas. Coisa que jamais foi!
O apoio de grupos e partidos que mantêm na sua ideologia o nacionalismo século XIX é facilmente explicado. A perda de poder decisório dos Estados para os burocratas da União Europeia está no topo. A Grécia ilustra muito bem esta situação. As ameaças contra o governo inicial do Syriza foi equivalente a füeher Merkel estacionar divisões panzers na fronteira grega, no entanto qual foi a reação internacional? A demonização do governo nacional como terrorista que pretendia destruir o sonho europeu. O resultado da rendição grega foi o socorro europeu aos bancos alemães em detrimento do povo grego. Os banqueiros e seus acionistas ficaram satisfeitos com a ação do Einsatzgruppen midiático em apoio às medidas coercitivas impostas, e logo tornadas realidade pela burocracia central europeia. Os adeptos do mercadismo acenderam várias velas em reconhecimento aos apóstolos Wolfgang Schäuble e Mario Draghi. Agora temem o enfraquecimento deste poder despótico e cruel à disposição dos seus interesses.
Algo semelhante ocorre com as esquerdas. Contam com os comissários e tribunais europeus para imporem sua visão de mundo à totalidade das nações da comunidade. O que já ocorreu com a Irlanda e agora com a Polônia. Aspectos culturais e sociais locais são criminalizados, e todos os habitantes forçados a aceitarem determinações emanadas de remotos gabinetes situados no exterior. Temem disputar no voto questões que provocam resistência de boa parte dos eleitores nacionais.
Não foi uma saída pela direita, foi a voz dos que se sentiram excluídos das decisões que impactam suas vidas. O globalismo econômico conta com os acordos setoriais e transnacionais para permanecerem acima do bem e do mal. A nova esquerda precisa reformular o discurso, talvez umas aulas com o KKE ajudem. As críticas negativas ao Brexit, por ter sido a escolha da maioria do eleitorado, são provenientes dos grupos que necessitam da distância entre a vontade popular e as decisões dos burocratas.