domingo, 24 de abril de 2016

Dilma e o bode

Antes da posse para o segundo mandato o golpe já estava em andamento. Os grupos organizados, financiados pelos irmãos Koch e assemelhados, os aparelhos dentro do poder público, a oposição partidária sem votos e os grupos midiáticos, todos sem exceção agindo para o império, mesmo que alguns inconscientemente. A combinação entre os vazamentos dos inquéritos e processos direcionados contra o PT, a manipulação destas informações pela imprensa e o ativismo nas redes sociais foi a estratégia para a demonização da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. O objetivo era a queda sob aplausos do governo. O sucessor para se afastar do caos anterior cairia no colo da America, abandonando todo o processo de inserção do Brasil no mundo multipolar. Retornando ao quintal dos EUA.
Dilma Rousseff neste processo foi transformada no bode na sala. Tornou-se a causa maior de todos os problemas que afligem o país. A recessão moderada que víamos no horizonte ao final de 2014 tornou-se uma depressão. A principal causa da queda brutal da atividade foi a crise política e o desmonte de setores inteiros da economia, devido à abordagem punitiva contra empresas nacionais pelos membros do ministério público e do poder judiciário. Obras foram paralisadas e novos investimentos suspensos. Em meio à insegurança veio a deterioração generalizada e surgiu a crise fiscal, não existem gastos a serem cortados para contrabalançar a queda da arrecadação tributária. A não ser que o governo que se proponha ao ajuste o faça sob Estado de Sítio.
Nesse panorama a ambição do vice-presidente Michel Temer o levou a encabeçar publicamente o golpe. Acreditando que seria visto como o salvador da república. Assumiria a presidência como a grande esperança da parcela branca e economicamente favorecida da população. Com o restante estupefato ou preocupado apenas com a sua sobrevivência imediata. Combinou os seus passos com os agentes golpistas, deixou de lado o povo. Descobriu então, após a exposição pública das vísceras golpistas, que ele também é o bode na sala, aliás, como todo o resto do sistema político criado pela constituição da nova república. A solução que ele acreditava ser é mais um problema, o maior de todos.
A prática brasileira de superar as crises através de acordos na elite, mantendo o persistente estamento colonial no poder, não é mais possível no momento, apenas com conchavos de gabinetes. A vontade dos seus barões não transformará merda em ouro, nem mesmo em barro. O golpe planejado para se efetivar com um verniz legal, seja através da participação ativa ou do acovardamento das instituições estatais, além de rachar politicamente o Brasil o levou a uma encruzilhada. A sua consumação será um governo impopular e ilegítimo, que para se manter no poder será obrigado a utilizar a repressão, enterrando qualquer pretensão democrática, ou a incógnita de novas eleições. Para que a maioria do povo não continue a sentir o bodum elas devem ser amplas e gerais. No atual quadro a legitimidade popular mínima do governo será obtida somente se eleito diretamente, e com um renovado Congresso Nacional.