terça-feira, 29 de março de 2016

Para temer!

A câmara autoriza o processo de impedimento da Dilma.
O senado inicia o processo.
Michel Temer assume interinamente como presidente.
O processo no senado não será apenas político, terá que seguir ritos jurídicos. Transforma-se em julgamento e não em linchamento, como ocorre no momento na câmara comandada por Eduardo Cunha.
Se Dilma Rousseff não renunciar ao seu legítimo mandato como Presidente da República e enfrentar o julgamento no senado o que acontecerá?
Estará em disputa o retorno da presidente Dilma ou a transformação em efetivo do governo provisório comandado pelo golpista Michel Temer.
Um governo que para superar a crise será obrigado a tomar medidas impopulares. Para manter o apoio midiático e dos aliados no golpe terá que retornar ao mercadismo desregulado e desenfreado dos anos FHC, do PSDB. Não terá a seu favor o tempo, medidas de impacto para agradar aos especuladores nacionais e internacionais obrigatoriamente deverão ser anunciadas junto com os novos ministros da área econômica. O velho sob nova direção. A ortodoxia do arrocho em edição revista e ampliada.
O processo no senado federal é totalmente público e realizado sobre autos já totalmente conhecidos. Nele os vazamentos seletivos distorcidos pela mídia não ocorrerão para alimentar o "clamor" popular. Paralelo a isso como a operação Lava a Jato estará se desenvolvendo? Sem esquecer o próprio líder golpista, tendo em vista que o seu nome frequentou várias delações premiadas?
A minoria disposta a manter a legalidade, seja da esquerda ou de outras posições ideológicas, continuará mobilizada e protestando. Quantos brasileiros, desses que se dizem contra a corrupção, estarão dispostos a se manifestarem pela manutenção de Michel Temer na presidência?
Um governo formado e apoiado por inúmeros delatados, investigados e processados por malversação do dinheiro público. Nesse momento onde estarão Eduardo Cunha e Aécio Neves, apenas para citar dois dos aliados enrolados do vice golpista. A mudança de tom dos telejornais, como o nazional da rede gloebbels, não deletará as denúncias na internet. Dificilmente alguém acreditará na virgindade de um governo prostituído pelas negociatas para a manutenção do apoio dos demais golpistas.
Na minha modesta opinião, caso a presidente Dilma enfrente o processo com coragem e valentia:
Somente os antipetistas mais ferrenhos terão disposição para se manterem mobilizados em apoio ao golpe, a claque comprada pelas entidades empresariais e golpistas já está com eles nas ruas. Os que se juntaram, movidos apenas pelos velhos preconceitos, não terão incentivo para marcharem novamente trajando o uniforme da corrupta CBF, pela sagração definitiva do Temer. Na visão da sua grande maioria estarão entre o fogo e a frigideira. Sem falar no setor mais raivoso dos opositores, como os adeptos do astrólogo Olavo de Carvalho, que desde já querem ver a caveira do golpista-mor e continuarão pregando contra os “marxistas culturais” e associados ao Foro de São Paulo. Michel está neste rol.

A presidente afastada ao longo do processo ganhará as ruas. Mesmo que os datafolhas da vida reduzam os manifestantes contabilmente. O pró-Dilma reunirá mais cidadãos que os adversários. Com esta pressão como votarão os senadores?