terça-feira, 8 de março de 2016

Javert, o herói nacional



Se Os Miseráveis fosse escrito por um coxinha como seria:

Jean Valjean apodreceria nas galés, devastado pelo sal marinho. Cosette morreria na infância ou se tornaria uma criança prostituída. Os moradores de Montreuil-Sur-Mer jamais conheceriam os anos de prosperidade e Fauchelevent seria esmagado pela carroça. O protagonista seria o inspetor que de tantas falsas virtudes é o protótipo do vício. No final mergulharia nas solenidades e na fama, jamais no Sena. Para um homem justo a consciência não existe, apenas o dever. O herói inabalável que deixou atrás de si um rastro de destruição em nome da lei. O tornado que devasta indústrias e desemprega cidades inteiras. Uma hecatombe mais poderosa que o crack da bolsa. Aplaudido de pé pela mídia das famílias e pelos cidadãos de bens, o bolor e o ranço de uma sociedade preconceituosa e mesquinha. Igualados no mal.