quinta-feira, 31 de março de 2016

Dilma Rousseff, o ruim e o péssimo

Por um paleonacionalista, tradicionalista e keynesiano. Eu mesmo.

O desempenho pessoal da presidente Dilma Rousseff após a vitória nas eleições de 2014 foi péssimo. Não sei se foi estratégia pessoal ou conselho de algum áulico. Enquanto a tempestade se formava preferiu esconder-se, talvez acreditando que tudo se acalmasse. Foram mais de sessenta dias sem confrontar os que desrespeitavam os seus 54 milhões de eleitores. A primeira manifestação dos sequazes do Gene Sharp ocorreu em 01 de novembro de 2014, menos de uma semana após o segundo turno. Permaneceu omissa enquanto era afrontada e acusada sem nenhum fundamento legal.

Durante o período perdeu o controle da Polícia Federal e assumiu uma posição defensiva, mas sem sequer se tornar reativa. O então ministro da justiça, o Dr. Cardozo, por medo de manchar a biografia que acredita possuir, não utilizou a prerrogativa do cargo para mandar investigar os crimes cometidos por agentes do Estado. Os vazamentos de informações e documentos de inquéritos e processos sob sigilo judicial são tipificados em lei. Afrontam o Estado de Direito e são flagrantes desrespeitos aos Direitos e Garantias Constitucionais de qualquer cidadão. Tornando nulo o princípio da presunção da inocência após o circo midiático utilizá-los conforme os seus próprios interesses. A apuração dos criminosos que do interior das instituições do Estado alimentavam a ciranda de denúncias e repercussões talvez tivesse freado a escalada golpista. Dilma falhou ao não garantir desde o primeiro momento a vontade da maioria, todos aqueles que nela votaram.

O governo Dilma Rousseff é ruim pelos erros cometidos na área econômica. As suas tentativas de agradar ao mercado, como a nomeação do banqueiro Joaquim Levy, a manutenção da diretoria mercadista do Banco Central, a política de arrocho em meio à recessão, o retorno à ortodoxia econômica em tempos de crise, tiveram como objetivo manter os grandes especuladores neutros na disputa política, e também reduzir a pressão das corporações midiáticas ao seguir as determinações do interesse dos seus donos, manifestadas através do jornalismo econômico e comentários de nulidades como Sardenberg ou Leitão. Seguiu a política nociva que faz parte do ideário econômico dos seus opositores. Para tentar uma trégua mais uma vez abandonou a vontade da maioria, pois se este fosse o desejo dela teria elegido Aécio Neves.

Após isso chegamos ao processo do impeachment. Um processo sem base legal, que tem como única peça da acusação as tais pedaladas fiscais apontadas pelo TCU. Ao contrário do que muitos podem pensar o nome Tribunal de Contas da União não o faz se transformar em um. Trata-se de mero órgão auxiliar do poder legislativo. Não prolata sentenças, emite pareceres que sequer foram votados pelo congresso nacional. As contas do governo não foram rejeitadas pela instância competente. Não existe o tal crime de responsabilidade atribuído a presidente.

Ao mesmo tempo em que os ritos ilegais do impedimento avançam a imprensa corporativa mantém deliberada desinformação. Os que se informam apenas através dos manipuladores de notícias acreditam que Dilma será julgada pelo cartel criminoso que existia na Petrobrás. Desconhecem até que os principais membros da quadrilha foram por ela demitidos muito antes das investigações se iniciarem. O processo de impeachment nada tem a ver com a operação lava a jato.

Essa mesma imprensa corporativa recebeu através dos vazamentos os produtos de crimes e com eles está fomentando um ainda maior: o golpe de Estado. Fato que se for consumado interessará apenas aos criminosos que a julgam e aos criminosos que os apoiam.

O péssimo desempenho pessoal de Dilma Rousseff e os resultados ruins do seu governo não serão nada se comparados ao que vem por aí.

Onde ela foi péssima o quadro será ainda pior, aqui existem duas possibilidades. Uma será a instauração definitiva do Estado policial comandado pelo judiciário; a outra um acordo de elites para livrar os corruptos aliados do novo governo, a grande maioria dos envolvidos nas apurações da lava a jato, e a continuidade do esquema. Não importa a vitoriosa, ambas transformam a Dilma em ótima na questão.

Na parte ruim veremos que tudo que o atual governo relutou em implantar virá em maior escala. As medidas que serão lançadas sobre o povo trará a carestia num grau que nos já estamos desacostumados. A crise de agora será para os pobres um incômodo quando comparada ao futuro que os aguarda. Até mesmo os erros atuais serão avaliados como bons.

Temos duas formas para evitar que triunfem. A primeira é impedir a concretização do golpe, a segunda resistir a ele. Não podemos correr o risco de sangue derramado por disputas políticas no Brasil. Evitar o sucesso do golpismo terá um custo social e humano muito menor. Além de enfraquecer os entreguistas e reduzir os danos que causam à nação, principalmente as famílias que controlam a mídia. Se um país pode se tornar canceroso a junção dos Marinhos, Civitas, Frias, Mesquitas, etc., formam uma metástase.