sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Brasil: risco geopolítico

Não sou eu que estou dizendo, mas os executivos do Fórum Econômico Mundial. O Brasil foi colocado no rol dos países com governos nacionais fracassados. A nós fazem companhia Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Moçambique, Mauritânia, Libéria, Moldávia, Lituânia e Bangladesh. O nosso maior risco não é o econômico, é o político. Não é difícil entender como chegamos a esta situação.


Eles dividiram os países em cinco grupos de riscos: econômicos, sociais, ambientais, políticos e tecnológicos. Para os países chamados de emergentes ou em desenvolvimento os entrevistados consideraram os problemas sociais e econômicos como os maiores para os negócios, mas por que a metade do grupo com governos fracassados situa-se na América do Sul e estavam há pouco tempo, ou ainda estão, apresentando bons índices de crescimento?

Vamos deixar de lado os nossos vizinhos latinos e dar atenção ao Brasil, afinal as causas não diferem muito. 

Como o Brasil que era um dos favoritos do mercado internacional até o início desta década é considerado agora um Estado falido? A corrupção e o seu combate não jogariam o Brasil no atoleiro, a causa é a exploração política do processo. Ela parte dos agentes públicos responsáveis pela punição dos corruptos e corruptores, justiceiros com interesses políticos; da oposição partidária que pretende herdar os cargos e as verbas; dos agrupamentos mobilizados pelas redes sociais, em geral movidos pelo ranço de classe e pelo preconceito; e acima de tudo pela forma como a imprensa explora a situação, por lucros e outros ganhos dos seus donos. Estes quatro grupos agem de forma sincronizada e com o mesmo objetivo.

As manchetes e os artigos são produzidos de modo a provocarem repulsa e indignação contra os citados, mesmo quando o fato é totalmente inócuo. Qualquer um que não se coloca automaticamente a favor da cruzada dos santos guerreiros é imediatamente transformado em vilão. Considerações e ações legalmente embasadas são tratadas como atos criminosos. A abordagem sobre questões econômicas são manipuladas para causarem desalento ou pânico. Sem falar na desinformação premeditada e nas mentiras elaboradas, cada vez mais presentes.

As notícias sobre o Brasil que os executivos estrangeiros recebem são pautadas pelo que é publicado pela imprensa que se diz brasileira, afinal praticamente todos recebem as informações sobre a nossa situação das filiais instaladas aqui. O que é reportado a eles deriva das manchetes da Rede Globo, da Veja, da Folha, do Estadão e de outros grupos empresariais de mídia.

O que presenciamos não é uma campanha para punir os que roubaram recursos públicos, mas uma guerra política. Para vencerem assumiram todos os riscos para banirem o PT da política nacional, mesmo que para isso destruam o Brasil. Podemos dizer que muitos jornalistas e os seus patrões; uma parte dos policiais, dos promotores e dos juízes; paneleiros marchadores e excelências da oposição (PSDB, DEM, etc.) agem no nosso país com algumas semelhanças com a frente Al-Nusra e o Estado Islâmico na Síria. Lá para derrubarem o presidente Assad expulsam e matam a população. Transformam o país em ruínas. Aqui para se verem livres do ex-presidente Lula e da Dilma não se importam com o desemprego, a miséria e a fome do povo. Pulverizam a nossa economia.

A profunda recessão, sem justificativas econômicas para tal, é o resultado da guerra política que vivemos desde 2014. Como em todas as maiores vítimas são os inocentes. Dilma, como o sírio Assad, para mim são ruins e existem pessoas melhores para ocuparem os seus cargos, mas pelo que tenho visto formei uma opinião: os que querem derrubá-los são piores.


Interconexão de riscos