quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Tempos interessantes


Nos últimos doze meses, mesmo com o quantitative easing jorrando em ambos os lados do Atlântico, como estão as bolsas nas economias “maduras”?

Dow Jones (EUA) .......................... -7,25%
Nasdaq 100 (EUA) ........................ -0,28%
S&P 500 (EUA) ............................ -5,95%
Dax Xetra (Alemanha) ................... -7,75%
CAC 40 (França)  .......................... -5,00%
FTSE (Reino Unido) ...................... -12,24%
Nikkei 225 (Japão) ........................ -3,55%

A que teve o desempenho menos ruim, Nasdaq 100, é onde estão listadas as grandes empresas de tecnologia e internet. Apple, Microsoft, Facebook, Google, Amazon, etc.

Nenhum destes cinco países dependem das exportações de matérias primas para o equilíbrio das suas economias, pelo contrário, deveriam ser beneficiados pela queda das cotações das commodities. Principalmente da energia, o petróleo. Mesmo com a produção do óleo e gás de xisto os EUA importaram durante 2015, em média, sete milhões de barris por dia.

Os grandes exportadores primários ou economias emergentes, sem crises políticas internas ou sanções econômicas externas:

All Ordinaries (Austrália) .................. -9,87%
TSC Comp (Canadá) ...................... -16,56%
Tadawul All Share (Arábia Saudita) .. -34,39%
Bolsa (México) ................................ -1,22%
IGBC (Colômbia) ........................... -18,99%
Shangai Composite (China) ............. -18,41%

Os conturbados:

Micex (Rússia) ............................... +4,40%
Bovespa (Brasil) ............................ -21,02%

Cidades Estados ou entrepostos que vivem da produção alheia:

AEX (Holanda) ................................. -6,61%
Hang Seng (Hong Kong) .................. -23,20%
STI (Cingapura) ............................. -25,38%

De todas as bolsas relacionadas acima apenas uma está positiva e outra estável. Mesmo com taxas de juros reais negativas nas maiores economias do planeta.

As cotações das principais commodities desabaram junto com as bolsas. De cerca de quarenta por cento de queda no minério de ferro aos menos doze por cento do ouro, ele mesmo, o ouro. As demais com variação negativa acima de 20%. Petróleo, que já estava em queda livre, alumínio, cobre, soja, carne, café e praticamente todos os demais produtos com grandes negociações internacionais. Neste início de 2016 a quase totalidade dos ativos perderam valor. Parece que os investidores não arriscaram mudando suas apostas, não encontraram um refúgio atraente.

A FED que elevou na sua última reunião a taxa de referência para 0,5%, após sete anos, e o mercado acreditava que em março a aumentaria novamente entrou em compasso de espera.

Em 2015 o comércio internacional diminuiu, para este ano é esperada uma nova contração no valor total das transações.

O FMI revisou para baixo a expectativa do crescimento econômico mundial. A sua atual previsão de 3,4% para o planeta, a menor em muitos anos, possui algumas ressalvas. A mais interessante diz: as principais transições econômicas mundiais devem ocorrer satisfatoriamente para que esse número seja alcançado, dentre elas o equacionamento do fortalecimento do Dólar, a desaceleração da economia chinesa, a situação geopolítica (tensões no Oriente Médio, Rússia e no Extremo Oriente) e a possibilidade de renovada aversão global ao risco.

Se o Brasil já está dentro do poço, boa parte do mundo caminha para ele, com as ressalvas do FMI resolvidas a contento. Caso contrário viveremos em 2016 um ano interessante, com reflexo para o próximo e os que se seguirão a ele.

Se considerarmos que a política econômica dos reguladores financeiros, dos EUA e da Zona do Euro, para o mercado é a mais frouxa que se tem notícia, não existem medidas tradicionais à disposição para o enfrentamento de uma crise sistêmica, caso ela ocorra. É ela pode ocorrer devido ao enfraquecimento das receitas das famílias, empresas e países, com o consequente não cumprimento dos seus compromissos financeiros. É provável que presenciaremos o início da era do bail-in, quando o cliente de um banco que quebrar terá a poupança da sua vida inteira confiscada para cobrir o rombo da instituição. Legislação para isso já está em vigor na área do Euro e nos EUA.