segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A violência, os analistas e os ideólogos




Para os chamados conservadores brasileiros em geral a regra para a segurança pública é: bandido bom é bandido morto! Defendem execuções sumárias e todos os assim assassinados são considerados automaticamente facínoras. O raciocínio homicida considera a morte pelas balas da polícia prova irrefutável da culpa da vítima. Afinal os seus filhos dificilmente serão parados numa quebrada qualquer, diferente do "elemento" da periferia. Na prática o sacolé de cocaína do primeiro terá tratamento diferenciado da pedra de crack do outro.

Os progressistas pensam diferente. Todas as causas da violência são externas ao indivíduo. Para se tornar criminoso primeiro é preciso ser vítima da sociedade desigual e cruel. A não ser que a verdadeira vítima pertença a um dos grupos eleitos, somente assim existe a possibilidade da maldade humana se manifestar. Embora por influências externas.

Hoje a FLACSO pública um estudo sobre os homicídios cometidos contra mulheres. As causas: racismo e machismo. O Brasil então deve ser o único país onde ambas práticas aumentaram simultaneamente nas últimas décadas. Afinal em qualquer momento do passado morriam menos mulheres vitimadas pela violência, como também menos negros, brancos, gays, etc. Nos últimos quinze anos os números de assassinatos explodiram no Brasil. Principalmente nas regiões norte e nordeste, onde a proporção de negros na população é maior que no resto do país.

Em 1980 o índice de mulheres assassinadas era a metade do atual. Tirando a subcultura funkeira desconheço outros grupos que continuam reduzindo publicamente a mulher à condição de objeto. Porém neste eles não tocam. O Brasil hoje é mais ou menos machista que no passado? E racista? Acredito que em ambos os casos a reposta seja não, mesmo com a possibilidade atual dos boçais despejarem nas redes sociais os seus preconceitos.

Mata-se por relacionamento desfeito, também devido ao som alto numa festa, um arranhão no carro, um esbarrão num show ou por qualquer outro motivo fútil. Os relacionamentos e as interações sociais na nossa cultura pautam-se cada vez mais pela violência.

O governo do PT, como o do PSDB antes, guia-se pelo "progressismo" no combate ao crime. Enquanto isto os índices aumentam. Levaram o Brasil ao primeiro lugar mundial em assassinatos, campeão do mundo em mortes violentas. A oposição chamada de direita não tem propostas concretas e os seus líderes apelam para o discurso populista. Seja com a aprovação da pena de morte, com a ilusão do porte de armas e também abrir as porteiras para a violência policial. Possuir uma arma na residência pode evitar que um assaltante a invada, portar uma na rua nada resolve. Faltará tempo e prática para qualquer tentativa de reação bem sucedida.

Abordar a segurança pública ao lado da saúde como os maiores problemas enfrentados hoje pela população deveria ser a principal preocupação tanto do governo quanto da oposição. Aqui mata-se mais que na guerra civil síria, as doenças da pobreza seguem impávidas e o atendimento hospitalar em coma. Porém enquanto um balança o outro pensa apenas em tomar o seu lugar e continuar nada fazendo. Não podemos esquecer também da imprensa, afinal num país onde mais de 60.000 pessoas são assassinadas anualmente a sua grande preocupação é interpretação das práticas corruptas que aportaram aqui com Cabral. Enquanto isto o povo morre e o que vê o cidadão comum são autoridades não se importando com o seu destino.