segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vadia e vagabunda



Uma organização imposta pela elite sem levar em consideração a opinião dos seus cidadãos. Dirigida por burocratas que não prestam conta dos seus atos ao povo que paga os seus salários. Formada por uma casta que não se submete ao escrutínio, a sua continuidade ou não no poder não é assunto que diz respeito aos eleitores. Tendo como principais ferramentas as drogas do Banco Central Europeu, que determina as rações diárias de Euros e títulos aos dependentes periféricos, assim os mantêm atrelados a uma moeda fictícia, daninha e deletéria e compra suas almas. Esta é a União Europeia. A principal desculpa para a sua criação seria o fim dos confrontos militares no continente, mas na realidade foi a forma suave de estabelecer o IV Reich.

Internamente tem como uma das funções controlar além da vida dos que habitam no seu território. Dita em que acreditar, como proceder e quais os valores morais e culturais seguir. Todos novos, desprezando séculos de escolhas e consensos. Ao mesmo tempo colocaram no centro do interesse público as grandes corporações empresariais, e a elas concretizaram um dos projetos de Hitler: socializaram as pessoas. Internamente é o Leviatã. Externamente uma borra-botas sempre pronta a servir ao amo e senhor.

Hoje os vinte e oito ministros da união divulgaram uma nota conjunta sobre a guerra civil na Síria. Subscrevendo no todos os interesses estratégicos americanos para o Oriente Médio.  Que como no caso da Líbia o problema maior, o Estado falido, deságua nas praias europeias. O que para a elite dominante não é um problemas, afinal eles não são do povo.

“Ministros de Relações Exteriores do bloco afirmam que ataques russos impedem a construção da paz na Síria"
Os bombardeios russos começaram há menos de duas semanas, os ataques contra o governo sírio mais de quatro anos. Em algum momento a Síria esteve próxima de iniciar um processo de paz?
"que "cesse imediatamente" os bombardeios contra a oposição moderada na Síria, acrescentando que uma paz duradoura é impossível sob a atual liderança do presidente Bashar Assad."

A única oposição moderada armada síria são os curdos que lutam por sua sobrevivência, que ao contrário dos peshmergas, do clã Barzani, não recebem praticamente nenhum apoio ocidental. O que não é de se estranhar, final YPG, PYD e outros são muito ligados ao HDP turco. Alvos preferenciais do sultão Erdogan da OTAN.
Os grupos sunitas, rotulados como FSA/ELS, são da mesma corrente dos talibãs e que tais. Aquele pessoal que mata meninas no caminho da escola. Para os americanos e seus capachos europeus esses são os moderados. Ahram Al-Sham e Exército da Conquista para qualquer um que tenha o mínimo de pudor são terroristas que devem ser combatidos.
"As recentes operações militares russas que tiveram como alvo o Daesh (Estado Islâmico) e outros grupos designados pela ONU como terroristas, assim como a oposição moderada, são fonte de uma profunda preocupação e devem cessar imediatamente"
Confissão sem vergonha de um bando de marionetes. Para eles apenas os seus amos e senhores do outro lado do Atlântico possuem o monopólio de combater os terroristas, conforme os seus termos, que são ditados pelos seus interesses estratégicos.
"centralizar seus esforços no objetivo comum de alcançar uma solução política ao conflito"
Em todos estes anos o que fizeram os diplomatas europeus além de se omitirem e bajularem os americanos? Querem para a Síria a mesma solução política dada à Líbia. As negociações ocorrem a bordo dos bombardeiros da OTAN.
"um processo no qual todos os atores relevantes devem estar ao redor da mesa".
Quem são os atores relevantes? Meia dúzia de agentes pagos pelos americanos e que autodeclararam líderes políticos sírios? Os terroristas que lutam uma guerra de procuração por ordem dos turcos e sauditas?
Sem falar qual foi a iniciativa da ONU para pacificar o país, alguém conhece?
"se tentarmos trabalhar com Assad lançaremos a oposição (ao regime sírio) nos braços do Estado Islâmico, o contrário do que queremos."
A tal oposição moderada síria somente se declarou inimiga do estado islâmico após a mobilização russa ter sido captada pela espionagem ocidental. Até o final de julho não existiam relatos de confrontos entre os grupos, como ainda não aparecem. A colaboração entre eles era constante e continua. A inimizada é meramente formal e publicitária.
À nota vadia e vagabunda da diplomacia europeia: os ataques russos concentram-se nas regiões de combate entre a resistência dos alauítas e seus aliados, cristãos, xiitas e outras minorias, contra os terroristas sunitas apoiados por países estrangeiros. Caso seja interrompida a cobertura aérea russa a conquista dos bastiões livres da sharia é questão de tempo. Com ela os massacres que se tornaram comuns nas áreas controladas pelos jihadistas.
Os acontecimentos no norte da África e no Oriente Médio demonstram claramente uma aliança entre a OTAN e o salafismo, aliados estratégicos contra a Rússia e a China. Com a vitória dessas forças na Síria em pouco tempo teremos levantes semelhantes nas regiões de maioria islâmica do Cáucaso, da Ásia Central e em Xinjiang. Sob as bênçãos e com os financiamentos de Washington, Ancara, Riad, Londres e demais satélites do eixo do mal. Os infiéis que estiverem no caminho terão poucas escolhas. Morte ou fuga para se transformarem em refugiados repudiados pelos promotores da guerra. Dentre os mais frágeis estão os cristãos e os seguidores de seitas derivadas do islã e que possuem fortes influências xamanísticas. Aqui não temos o confronto entre capitalismo e socialismo, ocidente e oriente, nada disto. Apenas a utilização da barbárie para ganhos políticos e econômicos de uma pequena elite que controla os governos na Europa e na América do Norte.