sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Terroristas: EUA, OTAN e países do Golfo




Em declaração conjunta disseram:

"Nós, os governos da França, Alemanha, Qatar, Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos da América declaramos o seguinte tendo em vista as recentes ações militares da Federação Russa na Síria:

Nós expressamos nossa profunda preocupação no que concerne à escalada militar russa na Síria e, especialmente, os ataques pela Força Aérea da Rússia sobre Hama e Homs ontem que levaram a mortes de civis e não tinham como alvo o Da'esh.

Estas ações militares constituem uma nova escalada e só vão alimentar mais o extremismo e a radicalização.

Apelamos à Rússia para que cesse imediatamente seus ataques à oposição síria e civis e concentre os seus esforços na luta contra o ISIS."

Caso falassem apenas da morte de civis seria a mais hipócrita declaração possível. Neste exato momento a Arábia Saudita bombardeia o Iêmen. Há poucos dias matou mais de cem civis num único ataque. A Turquia segue massacrando os curdos no seu território e no Iraque, muitos deles civis. Estados Unidos, França e Reino Unido são os três maiores assassinos da população civil em países estrangeiros. Na própria Síria, na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, no Iêmen, no Chade, na Somália, na Iugoslávia, etc. etc. e etc. apenas nos últimos vinte anos. 

Todos estes governos possuem pleno conhecimento da presença terrorista da Al Qaeda na Síria. Tanto sabem disto que os apoiavam dissimuladamente. Agora é oficial: 

"We call on the Russian Federation to immediately cease its attacks on the Syrian opposition and civilians and to focus its efforts on fighting ISIL."

Há poucos dias os americanos foram "humilhados" pelos seus mercenários do terror que fornecerem veículos e armamentos à Al Qaeda. Por quê já não reconheceram que este era o real objetivo? O fato apenas não deveria ser público naquele momento, tendo em vista que depois dos últimos acontecimentos foram forçados a admitir que a consideram oposição legítima ao regime sírio. Passou apenas uma semana e a abordagem mudou. Todos os demais grupos reconhecidos internacionalmente como terroristas agora são oposição? Não devem ser atacados? Para os que assinaram a declaração eles não praticam o terror e devem ser apoiados!

Na semana passada a direção da Al Jazeera ordenou aos seus funcionários que abstivessem de chamar a Frente Al Nusra de Al Qaeda. A rede de comunicação é propriedade do governo do Qatar, um dos signatários da declaração conjunta. A produtora executiva de língua inglesa do grupo, Kelly Jarrett, em e-mail enviado aos empregados, disse:

"A guerra na Síria é complexa, o campo de batalha está cheio de ideologias e objetivos concorrentes (...) nos já temos dificuldades o suficiente para ficar explicando a situação para incluir rótulos que induzam ao erro".

A realidade é que a Al Qaeda não é mais a organização que era e é irrelevante neste contexto. A Frente Al Nusra é parte da coalização rebelde da Síria, que é composta por vários grupos rebeldes armados, incluindo muitos que se baseiam na ideologia religiosa com várias fontes de financiamento. Os nossos telespectadores precisam entender que esses grupos armados constituem a principal oposição ao governo liderado pelo presidente Assad."

Esta mesma abordagem está começando a surgir na dita imprensa livre. Seja ela americana ou européia.

Todos os grupos "rebeldes" sírios que se baseiam na "ideologia" religiosa são takfiristas. Para eles todos que "renegam Alá", ou seja, todos que não seguem o wahabismo, a corrente mais retrógrada do islamismo sunita, devem se converter ou morrer. A grande patrocinadora mundial deste obscurantismo sangrento é a Arábia Saudita, outra signatária da declaração acima.

Assim o mundo, com o apoio da mídia corporativa, assiste o retorno do terrorismo islâmico à sua origem. "Combatentes da liberdade" apoiados pelos americanos, europeus e árabes sunitas. Como foi no início, no Afeganistão. Obama apenas segue os passos de Ronald Reagan.

A intervenção russa na Síria obriga o chamado mundo livre ou ocidental a reconhecer como seus os terroristas. Os mesmos que teriam atacado por vontade própria as torres gêmeas.