segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A Síria e Putin



Hoje, 28 de setembro, teremos um dia interessante. O discurso de Vladimir Putin na Assembléia Geral da ONU vai desvelar muito do que está ocorrendo no Oriente Médio. Principalmente nas últimas semanas.

Acontecimentos noticiados apenas por veículos da região, como os sites Debka e Al Masdar, e também pela mídia alternativa, podem se tornar manchetes da imprensa corporativa. Muito discreta quando as notícias não são favoráveis aos interesses ocidentais.

A partir de agosto os EUA começaram a admitir os seus mal feitos na Síria. Obrigado pela nova realidade. Dizer publicamente que fracassou o seu plano para infiltrar moderados, que lutariam para depor o presidente Assad, foi a confissão pública do seu envolvimento com os grupos terroristas. Como é possível acreditar que durante um longo período todos os seus pupilos desembarcados no país imediatamente aderiam a uma das várias facções ligadas a Al Qaeda ou ao ISIS e eles desconheciam? No último balanço oficial o Pentágono declarou ter conhecimento e controle sobre 5 elementos. E os demais? Apenas após a regulamentação do programa americano foram gastos US$ 500 milhões, em menos de um ano.

Além das páginas dos jornais ocidentais onde mais existe o tal Exército Livre da Síria? No terreno temos apenas várias franquias do terrorismo takfir. Mesmo sob nomes diferentes são aliados que trocam informações e equipamentos entre si. Todos abastecidos e financiados pelos turcos, sauditas e outras monarquias árabes, além dos EUA. Mesmo assim os meios de comunicação americanos e europeus continuam a declarar a sua existência. Um suporte midiático para legitimarem algum títere na presidência do país, desde que aceito pelos senhores da guerra que comandarão um país fragmentado. Como é a Líbia hoje.

A aliança formada por Rússia, Irã e Iraque em apoio ao regime sírio (com a presença do Hezbollah) e combate aos terroristas é um fato. A desobediência do governo de Bagdad às ordens americanas é um revés difícil de ser assimilado por Washington. Nos últimos dias, antes que ela se tornasse pública, John Kerry, secretário de Estado dos EUA, e Federica Mogherini, representante da União Européia para política externa, tentaram impedir a sua concretização. O alvo foi o ministro do exterior iraniano Javad Zarif. O acordo nuclear ainda não ratificado pelo Congresso americano.

A possível adesão oficial da China ao grupo liderado até o momento pela Rússia pressionará ainda mais os americanos e europeus. Mudando definitivamente o equilíbrio de forças no Oriente Médio. Deixando à OTAN apenas a possibilidade de impedir a sua atuação por meios militares. Uma guerra improvável, tendo em vista que muitos governos da Europa já estão revisando o posicionamento sobre a necessidade de deposição de Bashar Al Assad como condição inicial para qualquer negociação sobre a guerra civil síria.

Uma coalização internacional, incluindo o atual governo sírio e o partido Baath, para lutar contra o terrorismo na Síria, pode estar próxima de ser concretizada, principalmente pelo receptividade que terá na opinião pública européia, temerosa do afluxo cada vez maior dos refugiados do conflito. Principalmente se existir o risco da guerra se expandir para outros países.