quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sr. Lobo e o clima



Martin Wolf, comentarista chefe de economia no jornal Financial Times e participante assíduo das reuniões do grupo Bilderberg, veste pele de cordeiro, além do modelito da foto.

Na coluna traduzida pela Folha de São Paulo o globalista chora a vitória republicana nas eleições do meio de mandato nos EUA. Com ela diz que será mais difícil o engajamento dos americanos na defesa dos interesses dos ambientalistas. Todo o seu poderio tecnológico, econômico e militar não estará à disposição da causa. O que dificultará a criação de uma organização supranacional, afinal nenhum país consegue manter porções da atmosfera sob controle, para mitigar a mudança climática.

Para ele a vilificação do presidente democrata Hussein Obama afetará o futuro dos Estados Unidos e por consequência de toda a humanidade, pois sem a vontade política e os recursos do Império do Norte a virada necessária não acontecerá. O mundo continuará caminhando para o futuro sombrio e aquecido predito pelo IPCC. 

Como ele mesmo diz é "extremamente provável" que mais da metade da mudança observada na temperatura da superfície da Terra entre 1951 e 2000 se relaciona à atividade humana. Porém estamos em 2014, por quê então a data de encerramento do período foi a de distantes 14 anos? Ora, desde 1998 não houve alteração estatisticamente significativa na temperatura média do planeta. Embora continue a acumulação dos gases do efeito estufa na atmosfera.

A segunda metade do artigo é uma mistura de pieguice com sofismas. Como ao dizer "Não se deve confundir incerteza quanto ao desfecho com certeza de que dado desfecho imaginado não ocorrerá", mas é exatamente isto que temos, um desfecho imaginado com base em modelos computacionais. 

Há menos de quarenta anos começamos a medir a temperatura atmosférica e as geleiras com satélites. Uma rede global de estações climatológicas dotadas de instrumentos confiáveis é posterior ao final da segunda guerra. Mesmo assim ainda não estão distribuídas de modo a realmente medir qual é a verdadeira temperatura média do planeta Terra para dizer de quanto foi a variação observada. A sua concentração dá-se na América do Norte e na Europa Ocidental, existem verdadeiros desertos de mensuração nas demais regiões. Na década de 1970 muitos cientistas acreditavam que estava iniciando-se uma pequena era glacial, mesmo que hoje, segundo o IPCC, a temperatura já estivesse em plena elevação. 

Na realidade o que temos é o comparativo entre a segunda metade do século XIX com o final do XX. Não existem registros abundantes e confiáveis dos séculos anteriores. Mesmo a paleoclimatologia utiliza intervalos de tolerância para os medições obtidas que são capazes de distorcer o resultado final ao gosto do pesquisador. A única certeza que temos é a variação natural do clima ao longo das eras, com ou sem a presença da sociedade industrial. Mesmo com a rotulagem científica todos os relatórios divulgados pelo IPCC, da ONU, são possíveis, prováveis, etc. Comprovação mesmo: nenhuma!

Em nome disso querem que toda a comunidade planetária aceita o governo de um grupo de sábios iluminados que dirigirão suas vidas. Não quero reis-filósofos!

Artigo de Martin Wolf: Uma aposta antiética no cassino do clima