segunda-feira, 9 de junho de 2014

Algumas igrejas ditas cristãs a moral e o aborto

Romi Bencke

O movimento ecumênico é o embrião da seita globalista mundial, implantará tudo que vai contra o sentimento religioso das confissões individualmente. No Brasil existe o CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil e no continente a CLAI - Consejo Latinoamericano de Iglesias. Estas duas organizações aparentemente trabalham pela fraternidade e comunhão entre os vários grupos religiosos, mas não é só isto. Vai muito além.

No mês passado, em Fortaleza, nas dependências da Universidade Católica do Ceará, aconteceu o 1º Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora. As principais estrelas do evento, pelo catolicismo ou o que ele representa para os globalistas, foi a dupla Beto & Boff, pelas outras igrejas uma das participantes chamou a minha atenção, jamais havia ouvido o seu nome e então fui pesquisar. Trata-se de Romi Márcia Bencke, secretaria-geral do CONIC. É apresentada como pastora luterana, com um ano de intercâmbio no Seminário Ecumênico de Matanzas, em Cuba, durante o seu período de formação em Teologia. Por quê falar desta senhora e do CONIC?

Ela não participa apenas dos encontros para a espiritualidade libertadora dos jovens, também é defensora da legalização do aborto. Foi uma das autoras da publicação Las Iglesias Y Los Derechos Sexuales Y Reproductivos - Guía de capacitación en Derechos Sexuales y Reproductivos para Iglesias y Organismos Ecuménicos, documento conjunto da CLAI e do UNFPA - Fundo de População das Nações Unidas.

Abaixo trechos de dois documentos de atividades com participações desta senhora. Primeiro a Carta de Fortaleza, sobre o primeiro encontro de espiritualidade libertadora:

- enfrentar a homofobia, a lesbofobia e transfobia, que negam o direito de expressar a vivência de uma sexualidade marcada pela pluralidade e pelas diferenças;

- combater o capitalismo, o patriarcado e o machismo, que (des)estruturam a nossa casa-comum e destroem e ceifam as vidas de tantas mulheres e desumanizam os homens;

- contestar a influência do fundamentalismo religioso no exercício da política institucional, um modo de agir que testemunha uma religião arrogante, preconceituosa e excludente, que compromete a garantia do Estado Laico;

- participar ativamente no processo da reforma do sistema político brasileiro;

- engajar-se na luta pela justiça no campo, pela realização de uma reforma agrária popular, pela demarcação das terras indígenas e das terras ancestrais dos quilombolas e outras comunidades tradicionais, como também pela integridade de suas culturas. Essas dimensões são fundamentais para evitar o genocídio destas populações; 

Qualquer pessoa que esteja familiarizada com os termos utilizados pelas ONGs revolucionárias verá que não existem diferenças entre esses "evangelizadores" e os doutrinadores ideológicos.

Agora o capítulo As entrelinhas da discussão sobre religião, estado e direitos sexuais reprodutivos, de autoria da secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil:


O ingresso dos pentecostais na política ampliou a influência religiosa na esfera política, tornando ainda mais porosa a laicidade brasileira. Além disto, fortaleceu as articulações contrárias ao aborto, uma vez que políticos provenientes de comunidades pentecostais unem-se a políticos católicos para impedir a aprovação de qualquer lei que possa descriminalizar esta prática. (N A: aborto).


A vinculação direta entre Estado Colonial e Imperial contribui para a criação do “mito da proteção jurídica da vida desde a concepção” (LOREA, 2006, p. 187), utilizado ainda hoje como argumento, juntamente com o direito de defesa da liberdade religiosa garantida pela Constituição Federal, nos artigos 5 e 19.

A questão que se coloca é como entender a intervenção religiosa na esfera política com o intuito de garantir a defesa, por parte do Estado, de valores que não são coerentes com o pensamento e visão de mundo da maioria da sociedade.

A arena política torna-se, desta forma, um espaço privilegiado de disputa. Neste sentido, uma suspeita que poderia ser levantada é que a articulação entre grupos religiosos, em diferentes frentes parlamentares, poderia significar uma tentativa de sobrevivência de um tipo de cristianismo cujos valores não encontram mais respaldo na sociedade.

Isto talvez ajude a compreender que, ao longo dos anos de 1949 a 2007, foram apresentados 42 projetos relacionados a direitos sexuais e reprodutivos, que dispõe sobre planejamento familiar, meios contraceptivos, educação sexual, garantia de licença em função de aborto legal. Destes projetos, 09 seguem em tramitação e 33 foram arquivados.

(...) a laicidade expressa mais um método do que um conteúdo. Importante destacar que a laicidade é um termo político e não um termo religioso. É um método que apresenta uma dialética, pois ao mesmo tempo em que garante o livre exercício da religião, também limita a ação religiosa no espaço público.

Com isso, poderia se dizer que a intervenção de grupos religiosos no tocante à ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos pode indicar a continuidade de uma prática histórica das igrejas em relação às mulheres. Esta prática implica em renegá-las à invisibilidade, culpabilização, discriminação e na restrição de seus direitos.

A ambiguidade em torno da laicidade do Estado brasileiro impede que este cumpra a sua função plenamente, uma vez que grupos religiosos interferem, na maioria das vezes, em que são propostas políticas relacionadas à ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos.

Cabe a pergunta pelo significado da liberdade religiosa. Para Hervieu-Léger (2008, p. 205) esta liberdade não pode ser reivindicada como direito, senão na medida em que, esta reivindicação ateste a plena conformidade dos direitos humanos dos demais grupos sociais.

O texto de autoria da Romi Bencke inicia-se na página 183 do "guia de capacitación". 

Existe também uma pequena nota do CONIC sobre o PNE - Plano Nacional de Educação, aprovado recentemente sem a inclusão da ideologia de gênero, que deixa claro o ódio que devotam à religião se não for vivida apenas na intimidade de cada um, e a sua adesão total à ideologia socialista:

NOTA DO MOVIMENTO RELIGIOSO ECUMÊNICO SOBRE O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

Abril de 2014

Nós, as organizações abaixo assinadas, vimos a público declarar que, de acordo com a luta histórica de movimentos protestantes e católicos que se empenharam pela implementação do Estado laico brasileiro, repudiamos qualquer tentativa de instrumentalização religiosa da política e da educação. A doutrina ou forma de compreender de uma Igreja ou grupo religioso não podem ser impostas a toda a população.

Como organizações nascidas do compromisso com uma educação crítico-transformadora do movimento de educação popular libertadora, compreendemos que o Plano Nacional de Educação elaborado com a participação da sociedade civil, por meio de um longo processo de consulta, responde às necessidades e anseios do conjunto da população brasileira.

        Coerentes com nossa fé e firmados na liberdade de expressão que conquistamos, enfatizamos que somos contra todo tipo de discriminação. Reafirmamos nosso apoio e compromisso com os valores universais da liberdade, dignidade e diversidade.

Assinam:

Centro de Estudos Bíblicos - CEBI
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
Fundação Luterana de Diaconia - FLD
Núcleo de Pesquisa de Gênero - Faculdades EST
KOINONIA - Presença Ecumênica e Serviço

O único assunto de interesse religioso debatido no PNE era a ideologia de gênero, e eles consideram a oposição a este "troço" como instrumentalização religiosa da política de educação. Esta coisa consiste no esvaziamento jurídico do conceito de homem e de mulher. Ao mesmo tempo defendem que a educação seja crítico-transformadora do movimento de educação popular libertadora, ou seja, as escolas devem doutrinar o aluno retirando dele qualquer princípio moral e cultural que não se enquadre no que entendem por laicidade. Nas palavras da própria senhora Romi Bencke, desde o início, assumiram como bandeiras de luta temas como: a não descriminalização do aborto e do consumo de drogas, a união homoafetiva e a imoralidade... todas estas coisas para ela não devem ser objetos da luta dos religiosos.

Pessoas como Romi Bencke não apenas são ouvidas pelo governo como representantes das igrejas cristãs e não ativistas feministas, trabalham em conjunto com os membros da teologia da libertação católica para que a espiritualidade seja desprovida de todos os fundamentos morais criados pelo Cristianismo.

Sobre a ideologia de gênero: A agenda de gênero.