quinta-feira, 6 de março de 2014

O americanismo cara de pau

Afastemos os tentáculos


O presidente americano declarou que um referendo para os habitantes da Crimeia decidirem o seu destino viola a constituição ucraniana e as leis internacionais. Tem algo estranho nessa história. Por quê agora é ilegal e há seis anos atrás não?

Em 17 de fevereiro de 2008 a região autônoma de Kosovo, parte integrante da Sérvia, status semelhante ao da Crimeia em relação à Ucrânia, declarou unilateralmente a sua independência. Quais foram os primeiros países do mundo a reconhecerem o novo Estado? Os EUA e 22 membros da União Europeia. Detalhe: lá sequer houve uma consulta popular para decidir a separação. Foi uma decisão conjunta EUA-UE, impondo a sua vontade sobre a fragilizada Sérvia.

A questão não é se a Rússia e o presidente Putin representam ou não o nosso ideal de democracia, mas sim a tirania existente entre as nações do mundo. Como justificar que os aliados dos Estados Unidos podem e os demais não? Seria uma pureza inata que sempre busca a justiça e a liberdade? A continuidade dos ideais do fundadores da república americana intactos por mais de dois séculos?

Absolutamente não! O mais influente político kosovar após a declaração da independência e atual primeiro-ministro possui uma extensa folha corrida de crimes de guerra: sequestros, torturas, execuções sumárias, etc. Apesar das inúmeras denúncias contra Hashim Tachi, o Tribunal Penal Internacional até o momento não considerou a possibilidade da abertura de um processo. Nem mesmo do período no qual era um dos comandantes do Exército de Libertação do Kosovo, KLA na sigla em inglês. A principal fonte de recursos para o financiamento deste grupo terrorista durante a guerra dos balcãs foi o tráfico de drogas. A situação em torno do personagem aliado dos países ocidentais é sombria, até mesmo rumores de tráfico de órgãos retirados das vítimas do grupo foram notícia em jornais de primeira linha na Europa.

Existe uma passionalidade entre os defensores dos dois lados na crise ucraniana. Os alinhados com o ocidente veem a tentativa de trazer a Ucrânia para o lado dos bons e dos justos. Um enclave democrático no leste europeu. Uma emulação da terra da liberdade e das oportunidades. Os rivais, em sua maioria até hoje descontentes com o desaparecimento da URSS, consideram que uma Ucrânia de costas para a Rússia fortaleceria o imperialismo yankee e fortaleceria o seu domínio sobre o planeta.

A coisa não é uma disputa entre os adeptos da democracia e os agentes de uma conspiração fascio-bolchevique eurasiana idealizada pelo professor Aleksandr Dugin. Um dos lados atualmente está muito distante do regime democrático clássico, Ato Patriota, espionagem ilimitada da população e ordens executivas secretas, e o outro não corresponde exatamente ao esmagamento de uma liberdade que não existe mais, até porque o antigo liberalismo político ocidental jamais penetrou nas autocracias russa e chinesa. Morreu aqui antes de ter a oportunidade de florescer lá.

Para nós periféricos o que interessa é o reflexo que isso pode ter aqui. Simplesmente não podemos tolerar que um país considere sua prerrogativa a jurisdição mundial. Dizer quem e como deve fazer política. Isto serve tanto para uma disputa territorial quanto cultural. Até um mês atrás qual era o principal motivo das críticas à Rússia?

Nós que somos adversários da esquerda o que tememos? No meu caso, acima de tudo, a intromissão estatal na vida privada. Quase no mesmo patamar o ataque constante contra as nossas tradições morais, culturais e religiosas. Inclusive com a criminalização das questões de foro íntimo. No Brasil atual de onde vêm as maiores pressões para uma nova forma de organização social? A família enfraquecida, a relativização do direito à propriedade frente as demandas dos movimentos ditos sociais, a fragmentação étnica da sociedade e outros assuntos afins? Para não me alongar muito basta pesquisar quem são os financiadores e promotores dessa mobilização política. Os nomes que sempre aparecerão serão Ford, Soros, Rockefeller, Gates, Kellog, Skoll e para os interessados por genealogia Windsor, Orange, Bernadotte, etc. Sem falar dos governos dos EUA, França, Inglaterra, Holanda, Alemanha e outros mais fracos.

O temor que alguns sentem de uma pequena aristocracia sino-russa ditando como deveremos viver já é uma realidade aqui, sem a presença dos russos e dos chineses, basta constatar as reivindicações vitoriosas dos grupos minoritários ideologicamente motivados em detrimento do conjunto da população. Vivemos num país onde a igualdade de todos os homens se tornou letra morta, caso contrário como justificar as cotas raciais? Isto não ocorre apenas no embate com os poderes da república, principalmente no Executivo e no Judiciário, com este último referendando automaticamente todas as medidas tomadas pelo governo federal baseadas na agenda progressista, e quem a banca? Sequer é preciso ir longe para ver os efeitos ou realizar extensas pesquisas, basta ficar frente à TV.

Quando muitos se deparam com as decisões tomadas e sacramentadas lembram-se do seu viés socialista, mas quase sempre se esquecem que os militantes que levaram estas causas adiante foram financiados pelas grandes fundações criadas pelas corporações capitalistas e apoiados por membros da realeza europeia.

Então o que deveremos ter em mente não é quem será o "vitorioso" pelo controle da Ucrânia, mas sim que após o seu desfecho os tentáculos que podem nos sufocar ainda mais sejam mantidos os menores possíveis. Uma possibilidade remota seria rompermos o cerco político-midiático e elegermos um governo conservador, não apenas adversário dentro do mesmo espectro ideológico do PT, como Neves, Campos ou a Musa do Mogno, quanto tempo para eclodir uma revolução colorida seria necessário? Principalmente se as decisões governamentais fossem de encontro aos ditames da ONU e dos financiadores das ONGs.

P.S. Não vou linkar nomes ou fatos. Basta deixar a preguiça de lado é ir ao Google.