terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Não interessa quem foram

"Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido." Lucas 19:10

Não pesquisei nem mesmo os nomes ou dados referentes as fichas criminais. Muito menos assisti ao vídeo. Apenas sei que morreram e os que deveriam impedir que isto ocorresse nada fizeram. Em pleno século XXI o Brasil produziu, pelo que dizem, imagens típicas das hordas invasoras do passado. Não foram atacados nas florestas, nas estepes ou em cordilheiras distantes, mas dentro de uma instituição do Estado. Que governos são estes incapazes de controlarem e administrarem suas próprias instalações?

O que está ocorrendo no feudo do clã Sarney não é exclusivo deste estado, sugado há meio século pelo patriarca, rebentos e áulicos, é comum em todo o nosso país.  Aqui a vida humana nada vale. Mata-se outro ser humano como se este fosse animal destinado ao abate e nada ocorre. Pedrinhas, no Maranhão, é uma reprise de Urso Branco, em Rondônia, que por sua vez foi apenas mais uma página da extrema violência carcerária no Brasil.

Bandido bom não é bandido morto, é bandido preso. Cumprindo a sua pena com todas as restrições que devem ser impostas, mas mantendo a dignidade humana. Isto é um dos detalhes que diferenciam uma nação bárbara de uma civilizada. Eu não quero viver na barbárie e me envergonho pelos que desejam, porém tenho nojo dos que ocupam cargos públicos dizendo defenderem os direitos humanos e são profundamente seletivos na definição dos que devem merecê-los.

Muitos desses que clamam pelo abrandamento da legislação penal e na prática justificam os atos criminosos como mera reação dos excluídos sociais, igualando os pobres aos delinquentes, simplesmente ignoram os que estão recolhidos no sistema prisional. O que foi investido nos últimos anos pelo governo federal e pelos estaduais para que as penitenciárias não permanecessem um covil de bestas afiando suas garras e presas para quando retornarem ao convívio social?

Além da função punitiva pelo crime cometido o tempo de reclusão deve servir para que o condenado se conscientize que é um indivíduo, com direitos e deveres, e receber educação para exercer uma atividade produtiva e construtiva para si mesmo e para os demais quando findar a pena. Para muitos por melhores que sejam as condições nada representará, mas para outros sim.

As penitenciárias brasileiras não devem continuar como franquias das organizações criminosas, seja por cumplicidade ou covardia dos que de fato abdicaram das suas funções administrativas. Não podem permanecer como castelos dos senhores do crime, que lá dentro são soberanos absolutos com direito de vida e morte sobre os detentos que caem em desgraça, e também determinam as ações dos seus cúmplices aqui fora.