quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O golpe militar

Onde estava o povo?
 
É vergonhosa a comemoração da quartelada de 15 de novembro de 1889. Naquele dias os militares se uniram ao que de mais atrasado existia no Brasil, os latifundiários escravocratas que se opuseram à abolição. A derrubada da monarquia e o exílio da família imperial foi um retrocesso. A partir dali o Brasil mergulhou em décadas de instabilidade e os estados tornaram-se feudos dos coronéis da política. Muitos dos males que ainda se abatem sobre o nosso país têm como gênese o golpe militar contra o imperador D. Pedro II.

As recorrentes intervenções militares que ocorreram a partir desse momento, com origem no totalitarismo positivista que inspirava os quartéis, colocou o Brasil sob tutela dos militares durante quase um século. A ideologia de Comte considera a sociedade como um organismo no qual cada um deve desempenhar o seu papel específico sob o domínio e direção do Estado, o grande guia, controlado pelas elites econômicas e intelectuais. Ao povo caberia o lugar de bicho de estimação desses líderes. Pura ditadura! Um tipo de darwinismo sociológico.

Nos estados o poder foi tomado por grupos, muitas vezes familiares, que se perpetuavam e em geral agiam apenas em benefício próprio, muitos deles ressentidos com o fim da escravidão. Ainda restam exemplos deste sistema político arcaico e quase feudal, como o clã dos Sarneys. Basta analisar os indicadores sociais do Maranhão sob o domínio do coronel Zé Ribamar, há quase meio século ditando a política local, para ver como o efeito foi e ainda é nefasto.

O regime republicano teve como batismo uma das mais criminosas páginas da nossa história. O massacre de Canudos. O governo no Rio de Janeiro temendo que o arraial chefiado pelo beato Antônio Conselheiro era um levante monárquico mandou os escrúpulos às favas e ordenou a sua total destruição. Velhos, mulheres e crianças foram exterminados. Muitos dos que não morreram durante o bombardeio e a invasão do exército foram degolados. Quase não restaram sobreviventes. Os temores infundados da perda dos cargos e benesses levou-os à solução final para aqueles sertanejos.

Após quase cinquenta anos de estabilidade interna durante o II reinado, embora o Brasil tenha nesse período participado da mais destrutiva e mortífera guerra ocorrida na América Latina, reagindo à invasão do nosso território por tropas paraguaias comandadas pelo ditador Solano Lopez, mergulhamos no caos. No meio século seguinte aconteceram as guerrilhas do Tocantins, a revolta da armada, a revolução federalista, a guerra de Canudos, a guerra do Contestado, "revoluções" em 1923, 1924, 1930 e 1932. Levantes dos comunistas, dos integralistas e outros. Igualando-nos às repúblicas bananeiras da América Central. Um confronto militar interno a cada 5 anos em média. Desses 50 anos em pelo menos 20 anos brasileiros foram mortos em combates travados em nosso território. Esse foi o efeito mais visível do regime, mas os que não ficaram tão à vista não foram melhores.