quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A democracia científica


A entrada de um novo mundo?

Estamos presenciando o início. Começou pelo jornal L A Times, sediado na "terra dos livres". Este decidiu não publicar mais as cartas dos leitores que neguem a ação humana nas mudanças climática. Para o editor da seção, Paul Thornton, o jornal não deve ceder espaço para erros factuais. A partir de agora quem disser que inexistam evidências da responsabilidade do homem está banido. Somente os que ratificarem o consenso científico terão espaço.

A interdição da divulgação das opiniões divergentes tem um nome. Todos sabemos qual é. Engana-se quem o nomear apenas como censura. O correto é ditadura. Isto está no começo...

A co-editora de cartas do Sydney Morning Herald, Julie Lewis, pretende que está medida seja tomada pelos próprios leitores. Estuda uma consulta sobre o assunto. Uma abordagem bolivariana da questão. Conta com a anuência da maioria para calar os que não se enquadrarem nestes novos tempos.

Uma pesquisadora da Universidade de Tecnologia de Sydney, Elaine McKewon, além de não considerar a decisão do L A Times como uma forma de censura, foi de uma clareza total:

"O primeiro compromisso dos meios de comunicação deve ser com a verdade e com a precisão. Assim eu penso que esta decisão é elogiável, espero que ela dê coragem para que outros meios também deixem de apaziguar os negadores do clima."

A concordância sobre o aquecimento global antropogênico não é total entre os cientistas, mesmo que fosse a opinião divergente é direito de cada um. Incluindo nós, os leigos. Existem outros assuntos com igual grau de certeza de uns e ceticismo de outros. Como a teoria da evolução. Que vai muito além do mero debate a respeito do que é apresentado pelos pesquisadores. Envolve a fé. Se é elogiável calar a divergência na mídia generalista sobre um deles, por quê não impedir os demais? E por quê apenas na mídia? O negacionismo sobre os consensos científicos pode ser disseminado em todo e qualquer ambiente.

Proibir a divulgação de um determinado posicionamento considerado mentiroso tem como base impedir o seu efeito nefasto sobre indivíduos suscetíveis de o adotarem. Logo, para o bem do homem e a preservação da ciência é possível que somente seja liberado para discussão o que não confronte o consenso acadêmico. O resto devidamente apartado da pureza científica, com os insubmissos e subversivos que não aceitarem as revelações.

Esta não é a primeira vez que os defensores do aquecimento global provocado pelas atividades humanas publicamente assumem o desejo de calarem as vozes discordantes. Mais uma vez sob o argumento da autoridade outorgada pelo consenso da comunidade acadêmica. Consideram que a sua posição é legítima de direito e de fato. Como nas vezes anteriores dificilmente receberão uma resposta à altura. Caso esses proto-tiranos não sejam combatidos com vigor ficarão cada vez mais fortes. Permanecendo calados ainda veremos um admirável mundo novo...

Fonte: The Guardian