terça-feira, 10 de setembro de 2013

Um mundo novo para a velha humanidade



Lendo o artigo do Jabor, o futuro já era, vê-se a impotência dos disciplinadores de consciência. A obsolescência dos árbitros dos indivíduos. Todo este desencanto do Arnaldo com este novo mundo, que disto nada tem, é patético. Todas estas aparentes mudanças não estão transformando a realidade, a estão clarificando. No passado o indivíduo ficava submerso sob as elites. Não importando se política, econômica ou artística.

Não está ocorrendo nenhum florescimento das religiões, do fanatismo ou do irracionalismo. Aliás o que ele chama de irracional é a mente racional, livre das imposições antigas que a submetia aos deformadores de opinião.

O que presenciamos é o indivíduo exposto livremente. Pela primeira vez na história da humanidade cada um tem a possibilidade de mostrar ao mundo as suas crenças, as suas ideias o seu eu. O pensamento dentro de um simples movimento nunca foi unificado, por mais una que a voz se levantasse, as mentes permaneciam fragmentadas. Não existia uma única cabeça, eram muitas sufocadas pelo carisma e pela liderança.

Esta erupção de opiniões divergentes foi possível somente após a existência da rede. Antes o alcance do cidadão comum era a força da sua voz. Não abrangia uma praça. Hoje o mundo está se tornando uma ágora. As afinidades podem ser encontradas, sem a presença dos intermediários.

Múltiplos são os desencanto ou os conformismos pois muitas são as vítimas de um sistema cada vez mais impessoal. A nova tecnologia que ao mesmo tempo em que submete proporciona os canais para a libertação. Por isto existe a ânsia reguladora. As PIPAS, as SOPAS e os marcos regulatórios são os reflexos de um sistema que não pretende abrir mão do controle social. Antes enfrentavam poucos Davis, hoje são centenas de milhões.

As utopias eram institucionalizadas, os pensamentos controlados pelas palavras de ordem e os sonhos disciplinados. Estas barragens ruíram. O monopólio das palavras tornou-se pó.

Imaginavam o surgimento de uma aldeia global, mas o que está ocorrendo é o emergência de múltiplas conexões com valores divergentes. As relações não dependem mais da proximidade física, mas das ideias.

A era da coerção, da imposição de um pensamento dominante, esta cada vez mais tênue. Isto serve tanto para os governos, quanto para os indivíduos que se consideravam líderes de homens. Não fosse esta a realidade do momento não existiria a sanha dos reguladores políticos, dos produtores de "conteúdo" e dos que os financiam em abortar esta experiência única desde que o homem aprendeu a se comunicar. Enquanto não criarem mecanismos para reprimir, o futuro acalentado pelas elites já era.

Pela primeira vez desde o início da era das comunicações, com o advento da imprensa, a disseminação sistemática das informações e das opiniões ocorrem à margem dos filtros corporativos e intelectuais. Não é o caos, é a fragmentação criativa livre dos cânones e interesses acadêmicos, políticos e corporativos.