sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Hipócrita Azevedo, jornalista da Veja

"E pergunte-se a si mesmo em que mundo você terá mais garantias de que não vai explodir em praça pública: aquele em que a NSA faz o seu trabalho, devidamente monitorada pelo Congresso dos EUA, ou aquele em que Snowden e Assange são considerados porta-vozes das liberdades individuais. Eu não tenho dúvida nenhuma e já fiz a minha escolha."

O influente jornalista da Veja, Reinaldo Azevedo, escolheu um mundo controlado pela NSA  e monitorado pelo Congresso dos EUA. Neste admirável planeta a sua segurança pessoal é garantida pelos heróis da America. Sem acento! Os terroristas que explodem pessoas são presos antes de causarem mal a um inocente. Os maus são punidos e os bons continuam com os seus direitos individuais preservados: isto é a segurança democrática.

Abdulrahman Al-awlaki - 13-09-1995 / 30-09-2011


"Não é mesmo impressionante que gente dessa laia entre em confronto com os EUA, mas não com China, Irã ou, para ficar no caso em espécie, a Rússia, que só mesmo um empirista burro e empedernido classificaria de “democracia”?

A opinião do influente jornalista, líder brasileiro em acessos a um blog pessoal, tem alguma coisa que não bate, isto para ser condescendente. Considerar mero antiamericanismo o apoio que muitos estão dando ao Snowden e ao Assange por suas denúncias é de um reducionismo boçal. Principalmente a oposição entre a democracia americana x o totalitarismo russo que força a mão no seu artigo. Como podemos considerar um governo que: 

A) Monitora permanentemente todas as comunicações pessoais de qualquer indivíduo.
B) Prende por tempo indefinido sem o devido processo legal.
C) Utiliza técnicas de interrogatório que provocam sofrimentos físicos ou psicológicos.
D) Condena a pena de morte extrajudicialmente os seus próprios cidadãos e realiza as execuções sem individualizar os condenados

As práticas acima são parte do cotidiano democrático dos EUA. Tudo em nome da segurança. O Ato Patriótico aprovado no governo Bush deu início a esta nova era e o Obama ampliou ainda mais os poderes do Estado, aumentou também a terceirização dos serviços de segurança para grandes corporações privadas. O caso da empregadora do Snowden, que jamais foi um agente do governo americano.  (Confiar no governo, qualquer governo, não é aconselhável, todos sabemos que o respeito pelas garantias constitucionais existe na proporção do compromisso dos servidores públicos, eleitos ou de carreira, com o Estado de Direito. Portanto, desconfiar sempre é essencial. Agora o quê dizer da Booz Allen Hamilton que  tem como sua principal mercadoria a informação e visa o lucro?)

É evidente que as denúncias de Snowden atuam, de maneira objetiva e pontual, em favor dos interesses dos adversários globais dos EUA e, de modo mais amplo, do terrorismo internacional. Reitero: trata-se de uma COLABORAÇÃO OBJETIVA, pouco importando suas intenções, que compõem o fator subjetivo — isso é matéria que seria do interesse dos tribunais, caso ele fosse julgado.

Sim, os adversários globais dos EUA e não os da democracia foram favorecidos por este vazamento da prática totalitária de monitoramento dos cidadãos, afinal o conceito amplo de democracia não se aplica mais internamente no país do norte, externamente jamais o foi. Caso isto não fosse notório poderíamos dizer que existiria uma conspiração para ocultar a realidade, mas o fato é que temos um complô público de cúmplices para manter o mito, do qual o Sr. Azevedo é participante. 

Quanto ao terrorismo internacional o que podemos dizer?  A utilização dos drones pelo governo americano contra pessoas comuns nos afazeres do dia a dia no Iêmen, no Paquistão ou no Afeganistão também é terrorista. Aliás o que diferencia os agentes americanos que os comandam e os seus superiores de qualquer fanático islâmico que detona um artefato explosivo? Apenas a impunidade pelos assassinatos cometidos.

O garoto da foto era um cidadão americano. Foi explodido aos dezesseis anos durante um jantar com outras pessoas, devido a uma ordem do prêmio Nobel da Paz e presidente dos EUA Barack Hussein Obama. Como ele mais de mil outros civis inocentes foram mortos por explosões causadas por mísseis lançados pelos drones americanos. Não importando se estavam numa festa de casamento, num encontro social de amigos, orando ou fazendo compras no mercado em alguma aldeia remota da Ásia. Foram atingidos pela mesma covardia e brutalidade do 11 de setembro. A diferença é que nestes casos o terrorista que detonou a praça era o governo americano. 

A hipocrisia do Reinaldo Azevedo dá náuseas. Ele aceita as exceções em nome de um suposto bem maior. Os alemães fizeram o mesmo no início dos anos 1930.

Hipocrisia militante do uncle Rei.