sábado, 20 de julho de 2013

Os quatro de Colombo



O horror

Foram detidas 14 pessoas no Paraná. Incluindo um delegado da polícia civil. Os outros são investigadores, policiais militares, guardas civis e até mesmo um "preso de confiança". Todos acusados de obterem confissões de quatro trabalhadores pobres com o uso da tortura. A própria perícia derrubou a "rainha das provas" obtida pelo delegado e demais policiais ávidos pelos holofotes dos programas sensacionalistas. Não foi encontrada material genético compatível com os quatros suspeitos e não ocorreu o estupro.

Não estou aqui defendendo bandidos, desprezando a vítima ou menosprezando a dor dos amigos e familiares da menina Tayná, assassinada aos quatorze anos. Estou constatando que este crime possui cinco vítimas diretas. Uma de homicídio e quatro de torturas e abusos sexuais. Jovens com as vidas destroçadas.

Embora pobres e provavelmente analfabetos funcionais os quatro de Colombo não se enquadram com perfeição no politicamente correto que valora os seres humanos atualmente. Fossem eles índios, gays, negros ou militantes sociais e políticos os autointitulados progressistas estariam produzindo um ruído altíssimo e não este silêncio ensurdecedor. Não consideram o sofrimento atroz infligido às pessoas, mas sim a sua qualificação. A ministra petista dos direitos humanos teria ido muito além das falas protocolares. São membros da imensa legião dos brancos deserdados, miseráveis e sofredores, mas rotulados como responsáveis por crimes ancestrais como a escravidão. Como se beneficiários do abominável tráfico negreiro fossem, portanto disputando em condições ainda mais desfavoráveis o acesso à educação. Como Adriano, Sérgio, Paulo e Ezequiel existem milhões de outros rapazes que estarão cada vez mais à margem da sociedade.

Não fosse pelo senso de justiça e responsabilidade da perita Jussara Joeckel a gravidade dos fatos não teria vindo a público, pois destruiu o inquérito e suas "provas". Seria mais um episódio de brutalidade policial que não chegaria ao conhecimento da sociedade. Embora esta doutrinada pelos meios de comunicação de massa ainda louve neste caso os bandidos abrigados no Estado, apesar de todas as evidências da barbárie cometida, como demonstram inúmeros comentários nos portais de notícias. Que aliás continuam propalando o estupro que não ocorreu como mostra o laudo pericial. Tudo para tornar ainda mais sórdido o acontecimento.

Após um mês perdido será que as evidências que incriminariam o autor da morte de Tayná ainda serão encontradas? A incompetência dos porões da polícia civil paranaense provavelmente ajudou a tornar mais um homicídio impune no Brasil devido ao seu não esclarecimento.

Casos como este se reproduzem em todo o Brasil há muito tempo. Continuam a ocorrer devido à cumplicidade da própria população. Grande parte favorável inclusive à pena de morte, como se no nosso país as investigações fossem científicas e não movidas basicamente pela idiossincrasia  dos policiais. A partir do momento que o "faro" do agente responsável indica um suspeito ele fará tudo para inculpar o infeliz que cruzou o seu caminho. Todo o resto e desprezado em prol do dom que acredita ter ou dos interesses dos superiores.