sexta-feira, 14 de junho de 2013

Procura-se militonto de classe média ou alta, disposto e com espírito de aventura, para protesto sem causa


Para os que ainda acreditam que o Brasil é a Índia...

A evolução do preço da passagem de ônibus em São Paulo: em 2004 o salário mínimo equivalia a 153 passagens (R$ 260,00 / R$ 1,70), em 2008 a 180 (R$ 415,00 / R$ 2,30) e em 2013 a 211 (R$ 678,00 / R$ 3,20).

Evolução do preço das passagens de ônibus
Evolução do salário mínimo

O poder de compra da população cresceu. As classes D + E que representava 48% da população  brasileira em 2002, reduziram-se para 24% em 2010. Enquanto a Classe C aumentou de 37% para 58% no mesmo período, este grupo possui renda familiar mínima de R$ 2.034,00.


IBGE

A frota de automóveis particulares no Brasil cresceu 50% em 10 anos e a dos veículos em geral mais de 100%, com destaque para as motocicletas. Enquanto no mesmo período a população aumentou apenas 12%. Isto foi o principal motivo para a redução do número dos usuários do transporte coletivo.

Veículos
População

Desde a década de 1980, com a criação do vale transporte, o percentual máximo do salário gasto por um trabalhador no seu deslocamento nos dias úteis não ultrapassa a 6%. Praticamente todas as cidades possuam isenções ou desconto de algum tipo nas passagens para idosos, estudantes, deficientes, desempregados ou outros grupos específicos.

Lei nº. 7.418/85
SPTRANS

O gasto com transporte aumentou ao longo dos últimos anos, quase se igualando às despesas com alimentação na média das famílias. O valor médio desembolsado mensalmente por uma família da classe E era de R$ 72,07, em 2009. Sendo R$ 28,16 com transporte urbano e R$ 35,97 com veículo próprio, fora viagens esporádicas. Na classe D R$ 46,80 e R$ 64,99 respectivamente. O principal motivo foi a aquisição e a manutenção de carros e motos.

Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009 IBGE

O número de não usuários do sistema de transporte coletivo deve-se principalmente a falta de acesso, devido a carência da infraestrutura, e não às finanças pessoais. É falta de investimento e não o preço da passagem.

Sistema viário


O preço das passagens dos transportes coletivos no Brasil são elevados. Isto é incontestável. Porém os subsídios concedidos aos trabalhadores e aos grupos específicos, que por motivos vários são diretamente auxiliados pelo poder público com reduções e isenções, transformam o custo do deslocamento num problema menor que a péssima qualidade do serviço e o tempo excessivo perdido nos trajetos.

Os protestos que estão ocorrendo estão fora de foco. Isto fica claro quando lemos as declarações dos líderes do movimento. Os argumentos são falaciosos. Caso não sejam totalmente ignorantes e desinformados (coisa na qual não acredito), mentem! Em São Paulo, somente para os ônibus, seriam necessários mais  R$ 4,3 bilhões para a implantação da gratuidade. Temos ainda o metrô e os trens. A prefeitura não dispõem de recursos para isto. Teria que aumentar os impostos e reduzir os investimentos e o custeio em outras áreas. A conta seria distribuída por toda a população. O usuário continuaria pagando indiretamente, os serviços municipais iriam piorar e o aumento do custo tributário iria afastar empresas e impactar na geração de empregos. Causaria dificuldades para a cidade mais rica do Brasil. O quê dizer da maioria das demais?

No transporte coletivo urbano, principalmente nas metrópoles, existem muitas outras questões mais importantes no momento. Priorizar outros meios de transportes além dos ônibus, tornar pública a composição dos custos, melhorar a qualidade dos serviços (segurança, pontualidade, limpeza, etc.) para atrair novos usuários, transporte escolar, ampliação do sistema para regiões não atendidas, etc.

Estas marchas convocadas por grupelhos radicais, pelo facebook e pelo twitter, atraem desocupados ávidos por adrenalina. O impacto social, caso conseguissem o seu objetivo, não teria um saldo coletivo benéfico. O aumento dos gastos de custeio do atual sistema de transporte coletivo inviabilizaria os investimentos em outros modais menos agressivos para o meio ambiente e para a qualidade de vida.

Antes que eu me esqueça: por quê será que até o momento não apresentaram as virtudes do transporte coletivo gratuito nos países que utilizam como paradigmas para o Brasil? Cuba, Vietnã, Coréia do Norte, até mesmo a antiga União Soviética? Simples! Mesmo onde o regime comunista ainda controla o poder, bem como onde ruiu, jamais o transporte coletivo foi de graça.