segunda-feira, 17 de junho de 2013

O protesto genérico: contra tudo que está aí!

"Vocês ouvirão agora uma ópera. Porque ela foi planejada de forma tão pomposa, como só um mendigo poderia sonhar, e porque ela deveria ser tão barata, que até os mendigos possam pagar, ela se chama A Ópera dos Três Vinténs".

O povo unido jamais será vencido!


Brecht escreveu o libreto da Ópera dos três vinténs. Também a peça Mãe coragem. As duas estão sendo apresentadas no Brasil, com algumas adaptações. A ópera agora é bufa e a mãe não é mais uma mascate, agora é lojista em shopping center.

Contra o quê mesmo eles estão protestando? Em alguns lugares contra o vintém em si. Em outros contra a copa. Pombas, mas agora que o dinheiro já foi todo gasto? Por quê só agora se lembraram da saúde e da educação? Como passaram anos se esquecendo da corrupção?

Contra o quê mesmo é a indignação? Contra a PM do Alckmin? Contra a copa do Lula e da Dilma? Contra o aumento do ônibus do Haddad? Não dá para saber exatamente. Cada foto tem um cartaz com uma questão diferente. Porém isto não importa! O essencial é a manifestação, o protesto, mas contra o quê mesmo? Para cada item escolhido o que os manifestantes apresentam como solução? Quem sabe?

Para o ônibus a panacéia miraculosa: o passe livre. O transporte gratuito para garantir o direito de ir e vir. Mas, espere aí, é preciso comprar o ônibus, contratar motorista, encher o tanque com diesel, trocar peças e pneus. E o quê fazer com o cobrador? A função será suprimida? Alguém sabe quantos brasileiros desempenham esta função? O dinheiro para isto virá de onde? Do governo! Mas ele não cria riquezas. Apenas devolve uma parte para a sociedade do que arrecada em impostos da mesma. Aumentar os impostos para o seu valor incidir no preço final dos produtos? Ou reduzir os serviços públicos punindo os que deles necessitam? Girar a manivela para emitir moeda e aumentar a inflação? Quê fazer? Já perguntava Lenin há mais de um século.

E quanto a copa? Cancelar! Mas agora os estádios já estão prontos. Então abrir os portões para que os menos favorecidos possam participar? Cabem todos? Não! Então como escolher os com direito de ir e vir aos jogos? Etnia? Idade? Gênero? Orientação sexual? Mesmo assim não entra todo mundo. Fazer sorteio? E os que nasceram azarados serão discriminados?

E a tal da mídia? Aqui é mais fácil, basta não pagar mais por ela ou não assistir a TV aberta. Nenhuma das empresas do setor poderá se manter sem faturamento. Espera aí, se o problema é a mídia o quê fazer com as chamadas redes sociais? Ainda mais nestes tempos do grande irmão Obama. Boicotá-las também? Então como convocar os novos protestos? Mimeógrafo! Se não souber o que é isto basta ir ao Google sem logar.

O quê querem? Um novo Brasil. Muitos pensaram que ele nasceria quando os caras pintadas escorraçaram Fernando Collor da presidência da república. Centenas de milhares se espalhando pelas ruas de todo o Brasil. Caminhando e cantando nas ruas, praças, praias e onde mais pudessem se reunir. O resultado: Fernando II, também conhecido como THC.

Eu também quero protestar! Preciso encontrar uma causa, um alvo, erguer uma bandeira. Qual será?
Se eu fosse turco marcharia contra a islamização forçada. Americano contra Wall Street. Europeu contra a tróika e o arrocho que favorece as grandes corporações e os banqueiros. Mas eu sou brasileiro. O quê devo escolher. Ser original, algo que ainda está esquecido pelos manifestantes. Ah! A cultura! Ela também é um direito fundamental. É uma ferramenta importante para a pessoa se conscientizar. Então: fora Brecht! Fora Brecht! Mercenário! Mercenário! Por quê vetar o acesso a quem não tem vintém ou só um ou dois? Nada de catracas! Bilheteria livre!