sexta-feira, 7 de junho de 2013

O jornalista da USP e o racismo no futebol

Seleção brasileira - Copa do México - 1970


Seleção brasileira - Copa da Espanha - 1982


O colaborador do jornal Folha de São Paulo e blogueiro do portal Uol, Juca Kfouri, escreveu um artigo intitulado Branquearam o futebol. Pela oração que inicia o texto fica claro o diagnóstico encontrado para esta descoloração: Racismo! 

Que perdoem os que vivem num país tão diferente que imaginam não haver racismo no Brasil.

Será que a cada ano que passa o brasileiro tem se tornado mais preconceituoso? Fatores econômicos e sociais foram menos decisivos que este mal atávico que ressurgiu tão forte a ponto de afastar os negros dos campos e dos estádios?

Ao ler o que ele escreveu tive a impressão que o assunto principal seria o alto preço dos ingressos cobrados na partida Brasil X Inglaterra, mas isto não seria efeito da mercantilização do esporte e sim dos pérfidos racistas que se devotam a exclusão dos descendentes de africanos. Uma leve cutucada no poder público sobre os estouros do orçamento e as condições físicas externas do estádio, porém os promotores ficaram ocultos. O Comitê Organizador Local, presidido pelo furta medalha Marín, o Ministério dos Esportes, do PC do B, e a Confederação Brasileira de Futebol pelo que li na coluna não parecem possuir responsabilidades pelas ausências reclamadas.

Utilizou as seleções brasileiras comandadas por Telê Santana em 1982 e 1986 como exemplos de um suposto embranquecimento dos jogadores de futebol. Citando os quatro não brancos titulares do time que disputou a copa da Espanha, há mais de trinta anos. Será que ele se esqueceu de contar os atletas que deram o que chama de tom mestiço nas últimas copas do mundo? Nas quatro mais recentes 2010, 2006, 2002 e 1998 o número de afrodescendentes nunca foi inferior a 13 ou 14 numa equipe com 23. As convocações do Telê foram devidas aos desempenhos de cada um na época ou ele deveria receber aulas sobre o racialismo politicamente correto com Dunga, Parreira ou Felipão? Isto porque as causas citadas para os times "europeus" da década de 1980 foram a especulação imobiliária, que exterminou o futebol de várzea, e as escolinhas pagas que dificultaram o acesso dos mais pobres aos clubes, porém nenhuma destas diminuiu com o passar dos anos. Pelo contrário, aumentaram.

Estatisticamente, de acordo com os dados populacionais do IBGE, em onze titulares deveríamos ter quatro com aparência branca, o mesmo número de pardos, um preto e outro com descendência indígena, tendo em vista que não existe a possibilidade de fracionar o jogador. Então onde está o racismo em relação a quem proporciona o espetáculo?

Quanto aos espectadores a segregação é monetária, não importando a cor. O mesmo que já ocorria em shows e peças de teatro. Infelizmente no Brasil os pobres não tinham acesso aos eventos pseudoculturais, agora chegou a vez dos esportivos. No entanto para os liberais todos os problemas se resumem ao racismo, à homofobia e ao machismo, consideram estas as únicas causas de todos os males que afligem a sociedade, os progressistas agregam o capitalismo a eles. Enquanto iludem-se com as suas premissas socioideológicas e as impõem sobre todos os cidadãos não precisam se preocupar em encontrar soluções reais para os problemas.

Jogadores convocados para a Copa da África do Sul em 2010