terça-feira, 14 de maio de 2013

Esmagar uma águia não custa nada.

Águia dourada


Águias e outras espécies de aves em risco são protegidas pela lei americana. Caso o desenvolvimento de alguma atividade provoque mortes o responsável será processado pelo governo central, tendo em vista que é crime federal. As empresas petrolíferas e de rede de transmissão de eletricidade respondem a inúmeros processos deste tipo. Um para cada animal morto. Conforme as leis de proteção para as aves migratórias e para as águias.

No entanto esta preocupação com gastos em honorários para advogados, pagamentos de multas ou processos criminais nao afeta um setor, o campeão em ambientalismo correto, a geração eólica de energia. Embora anualmente os seus cataventos matem mais de meio milhão de aves nos EUA. Muitas delas protegidas.

Para a morte provocada por contaminação devido aos resíduos químicos, petrolíferos ou eletrocução a burocracia age em defesa da vida selvagem. Caso seja por esmagamento pela pá de uma turbina não fazem nada. Funcionários federais utilizam o anonimato para denunciarem a mortandade. Não estão autorizados a divulgarem os números. Até mesmo quando os próprios responsáveis notificam o governo das ocorrências a administração Obama não torna pública estas informações, alega que os dados pertencem às empresas ou são segredos comerciais que não devem ser expostos.

No momento está em estudo uma regulamentação para o setor que permitirá a matança das águias pelas usinas eólicas nos próximos trinta anos. O pedido foi feito à Casa Branca pelas empresas e está atualmente em revisão pelo governo. Vigora atualmente uma orientação para que este ramo de atividade só seja submetido a controle caso tenha um impacto adverso significativo sobre a vida selvagem ou o habitat.

Esta exceção específica para um setor industrial está enfraquecendo a capacidade do governo em fazer cumprir as leis de proteção para a vida selvagem. Outros querem o mesmo tratamento. Embora esta advertência parta dos próprios funcionários é repetidamente rejeitada pelo governo Obama. A comissão que elaborou as diretrizes atuais teve entre os componentes os maiores interessados, as empresas eólicas.

Fonte:  Parques eólicos americanos evitam processos por morte de águias.

Poucas são as denúncias sobre os crimes contra o meio ambiente cometidos pelos setores ambientalmente corretos. Nenhuma das grandes organizações internacionais defensoras da natureza protesta contra isto. Não se acorrentam, não obstruem os escritórios, não fazem campanhas públicas. Nada. Por eles ninguém saberia destes fatos. Os sites do Greenpeace, do WWF, The Nature Conservancy e outros possuem uma imensa quantidade de artigos sobre animais mortos devido ao vazamento de petróleo, ao uso de agrotóxicos, etc, mas nenhuma imagem do efeito de uma pá do tamanho de um avião atingindo uma ave em vôo. Apenas nos EUA são mais de quinhentas mil a cada ano. No mundo todo quantas serão?

Não estou pedindo o fechamento das usinas eólicas. Apenas mostrando a contradição entre o discurso e a prática dos defensores da natureza. Além de causarem morte dos animais são verdadeiras agressões visuais. Poluem o horizonte onde quer que sejam instaladas. A energia solar também tem os seus problemas ambientais. Os painéis, devido ao aquecimento, torram milhões de insetos, muitos deles polinizadores. Devido a sua baixa altura e grande densidade o controle da vegetação é feito com herbicidas, venenos como todos sabem.

Para atender a crescente necessidade da população mundial, mesmo sem os excessos consumistas dos páises ricos, deveremos aumentar a produção de energia. Sem ela não há trabalhos de qualidade ou as comodidades que facilitam as nossas vidas. Centenas de milhões de seres humanos não dispõem de eletricidade, gás ou água potável. Vivem ainda como nossos ancestrais dos séculos passados.

Qualquer atividade humana provoca impactos na natureza. A questão é saber se o seu custo ambiental será maior ou menor que os benefícios que irá gerar. Para os que desfrutam de todas as benesses da civilização é fácil conservar mantendo outros na miséria. Utilizam desculpas que envergonhariam qualquer um com o mínimo de decência. Ao invés de desligarem o ar condicionado, abandonarem as viagens aéreas e os carros preferem chorar pelos bagres do Rio Madeira.