sábado, 17 de novembro de 2012

Quem tem dívidas, que as pague.

"El que tenga deudas, que las pague. Que no se hubiera endeudado"
Maria Antonia Trujillo, PSOE, ex-ministra da habitação da Espanha


Ministra durante o governo Zapatero


A Srª Trujillo quando ocupou o ministério foi uma das incentivadoras da concessão de crédito para quem não tinha condições de se endividar. O seu partido, o Socialista Operário Espanhol, continou inflando a bolha. O mercado imobiliário parecia tão promissor que a pasta foi criada em 2004, e ela a primeira a ocupá-la.

Quando o esquema financeiro que sustentava as operações financeiras podres ruiu as "dívidas" que ficaram com os bancos foram assumidas pelo Estado. Eles são muito grandes para quebrarem. Ao socorrer as instituições o governo aumentou brutalmente os impostos e cortou os gastos. Isto levou a economia à recessão e o desemprego explodiu. A taxa na Espanha que em 2007 era de 8% agora chega a 25%.

As pessoas que acreditaram que a prosperidade criada pelo mercado financeiro iria durar para sempre vivem agora no pior dos mundos. Perderam seus empregos e dificilmente irão conseguir outro. Os despejos continuam e as dívidas também. Na Espanha a retomada do imóvel não quita o saldo devedor. Do montante apenas é deduzido o valor atual do imóvel. Os compradores e seus fiadores continuarão a ser cobrados, visto que a desvalorização foi grande. Muitos perderam tudo e com a atual situação econômica até a esperança. Os audazes começam a emigrar.

Do outro lado, os que concederam empréstimos a quem não possuía condições financeiras, permanecem onde sempre estiveram. Utilizavam-se do mercado "lucrativo" dos subprimes para inflarem seus balanços e lucros e ocultarem a real situação. O volume de ativos podres ficou tão grande que não foi mais possível esconder. A crise aí originada está atingindo milhões que se tornaram vítimas da deterioração econômica e não se beneficiaram na era da especulação. Apenas pagam a conta. Enquanto isto os controladores dos bancos permanecem em seus postos e continuam com os seus ganhos garantidos pelo Estado, isto é, por todos os cidadãos espanhóis. Não deveriam eles também pagarem as suas dívidas?

O que ocorre hoje na Europa deveria servir de lição para nós. Aqui as pessoas também são incentivadas a se endividarem, acima da sua capacidade de pagamento, para consumirem. O próprio governo é cúmplice nesta operação inflando o PIB acima da sua dinâmica de crescimento real. Os verdadeiros fundamentos que deveriam incentivar a economia são trocados pelos consumismo. É muito mais fácil criar dinheiro que fazer as reformas que o país precisa para se desenvolver em bases sólidas.