terça-feira, 13 de novembro de 2012

Tio Rei apoiaria os barões ladrões contra Teddy Roosevelt

Será quê ele gosta de pagar mais do que o devido?

A distribuidora de eletricidade na minha cidade é a Light. A partir deste mês a sua tarifa foi reajustada em mais de 12% para uma inflação inferior a 6%. A Aneel existe apenas para atender aos fornecedores. Aos consumidores contas caras e péssimos serviços.

O motivo do post do Rei foi a reportagem Em dois meses 27 elétricas perdem R$ 31 bi na Bovespa. Onde é relatado o drama dos controladores das empresas, provocado pela proposta do governo federal de antecipar a renovação das concessões em troca de tarifas um pouco mais baixas. A redução proposta não equipara o custo ao consumidor final no Brasil com o praticado nos principais países do mundo. A eletricidade ainda permanecerá muito mais cara que nos nossos maiores concorrentes.

Para quem considera que capitalismo é a sujeição do fraco pela violência ou artimanha do mais forte realmente a dona presidenta se mostrou anticapitalista. Para quem não concorda com o monopólio das concessionárias cevado pelo Estado, anticapitalismo é o quadro atual. Não temos opção de decidir qual empresa irá prover este serviço em nossa casa, somos obrigados a aderir a uma única fornecedora. Como em todos contratos de adesão a faca e o queijo ficam nas mãos de quem detém a parte do leão. Uma relação desequilibrada que prescinde da assistência governamental em prol do concessionário. Vício de origem, visto que foi causado pelo processo porco de privatização do governo tucano de FHC. A venda de ativos amortizados, isto é, já pago pelos consumidores, teve como balizador o maior valor de oferta. Forçando-nos a cobrir pela segunda vez o investimento realizado. Desta vez não para a sua instalação, mas para encher as burras do governo.

Além desta duplicidade o vitorioso ainda foi brindado e blindado com metas frouxas de qualidade e expansão do serviço. Garantia contra desvalorizações da moeda e a formação do percentual de reajuste das tarifas a cargo da sua parceira Aneel, que não considera nenhum índice geral da economia na hora de fixar o aumento. Trabalha com planilhas. Quem as alimenta? Sem contar que os investimentos do setor elétrico são financiados pelo BNDES em até 80% do total com juros subsidiados. A taxa é inferior a SELIC.

A proposta do governo para redução fica muito aquém da necessária. Em torno de 16% para as residência e de 12% a 28% para as indústrias. Agora vamos comparar as tarifas aqui com as de alguns países:

Custo do MW pela variação cambial

Se a comparação for com regiões atendidadas por geração hidroelétrica, como é basicamente a matriz brasileira, vemos que a distorção não muda em nada:

Cidades com eletricidade gerada por matriz hídrica

Os cariocas, e nós fluminenses, pagamos quase quatro vezes mais caro pela eletricidade que os moradores de Montreal e Winnipeg. Se a carga tributária no Brasil for retirada o preço final ainda será 50% maior que a média canadense. O Brasil e o Canadá possuem uma participação semelhante das matrizes de geração de energia elétrica e de extensão das linhas de transmissão. Por quê tamanha diferença?

Não sou um estudioso do setor. Sou um mero leigo que estranha esta discrepância. Um país com um dos menores custo na geração entregar o produto no fim da linha por um dos maiores preços. Acredito que é o momento de rever totalmente o sistema que regula a geração, a transmissão e a distribuição da eletricidade. O vencimento da maioria das concessões ocorre até 2017 e chegou a hora de um choque no cartel acoitado na agência reguladora. A redução das cotações das concessionárias na Bovespa não é anticapitalismo é o desinflar da bolha do lucro Brasil. Que deveria se estender aos demais setores da economia dominados pelos malfeitores de grande riqueza.