quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Agora é o lixo

O WWF Brasil, do conselheiro Luís Paulo Saade Montenegro, encomendou uma pesquisa ao IBOPE, do vice-presidente e sócio Luís Paulo Saade Montenegro, sobre a relação entre o consumo do brasileiro e o descarte dos resíduos sólidos. O famoso lixo. Ficarei com apenas três perguntas, as respostas e as interpretações.

2) Eu vou ler para você alguns itens e gostaria que você me dissesse quanto você os leva em conta na hora de comprar um produto. O primeiro atributo é: você diria que sempre o considera, às vezes o considera ou nunca o considera?

Durabilidade não! Embalagem sim!

Como leigo acredito que a durabilidade de um determinado produto, ao contrário da obsolecência ou defeitos programados, é capaz de fazer muito mais pelo ambiente que doações para ongs amigas dos polar bears ou dos pandas contratarem serviços em empresas parceiras. Uma lâmpada, por exemplo, poderia ter sua vida útil estendida por incontáveis vezes. Bastaria a utilização dos materiais mais adequados. O preço ficaria mais caro, mas com o espaçamento quase infinito para a sua substituição representaria economia financeira para o usuário e de matérias primas e emissões para o meio ambiente.

Por quê será que embalagem atraente/bonita é sustentável?

25) Nós costumamos pagar contas de energia e água de acordo com a quantidade que consumimos. Algumas pessoas (QUAIS?) dizem que sobre o lixo, deveria existir uma tarifa como as de água e de luz, ou seja, pagaria mais quem produzisse mais lixo. Você concorda ou discorda com este tipo de cobrança?

26) O Sr(a) estaria disposto(a) a pagar uma taxa deste tipo para o lixo?

Oh! Só os tributos, tarifas e taxas salvam!

Em abril de 2011 o site do WWF publicou um artigo dizendo que a falta de reciclagem do lixo causa ao Brasil um prejuízo anual de R$ 8 bilhões. Este seria o valor na época dos materiais passíveis de reaproveitamento e descartados. Isto representa em média mais de R$ 40,00/ano por brasileiro. Se apenas a reutilização dos materiais envolveria valores desta ordem, além do que já é gasto pelas prefeituras para a sua coleta, por quê a falta de "empresários" dispostos a investirem neste setor? Seria uma reserva fracionária em pequena escala. Afinal o maior custo seria o de conscientizar para coletar a matéria prima devidamente separada e embalada para processamento. O frete já está pago.

Então por quê incentivar a criação de uma taxa para o lixo? Se a própria operação geraria receitas bilionárias cobrar do fornecedor dos insumos seria uma contradição. Isto num mundo normal e não no de algumas pessoas. Estas "pessoas" são aquelas que investem na economia verde e contam com um plus ultra para o retorno das suas laboriosas atividades. Este bônus é exigido sempre que um negócio verde é iniciado: o famoso subsídio. Pago por todos nós, tomado pelo governo e entregue aos salvadores da Terra. Quanto mais lixo alguém produz significa que mais impostos recolheu aos cofres públicos. Alguém conhece algo que se transforma em lixo que não venha acompanhado por um cupom ou nota fiscal?

Sempre ouvimos falar em economia verde como sustentável. Economicamente sustentável? Não. Visto que o consumidor final seria obrigado a arcar com o diferencial do custo de produção. Caso contrário considerar o preço em primeiro lugar não seria uma heresia. Teríamos menos consumo, menos circulação de bens e valores, mais tributos e consequentemente menos empregos. Isto não é humanamente sustentável. A verdade é que eles não se preocupam com as pessoas. Preferem animais fofinhos às crianças famintas.

Tratar os resíduos sólidos em aterros sanitários é uma coisa. Tentar utilizar o manejo correto destes descartes para beneficiar amigos extorquindo através do Estado o lucro que embolsarão é para mim coisa de pessoas que se transformaram em resíduos sórdidos. Beneficiários do capitalismo sem risco. Isto tem outro nome...