domingo, 14 de outubro de 2012

Seu Zezinho, o ingênuo

Zezinho é um trabalhador esforçado. Serve pinga, cerveja e torresmo até o galo começar a cantar. Mesmo com todo o esforço passa por dificuldades financeiras. De uma honestidade pessoal à toda prova corre o risco de ver o seu nome sujo. O Valdemar do açougue já mandou cobrar as mantas de toucinho. O mesmo fez o Roberto das bebidas. Sem falar dos outros. Soma daqui, soma dali e nada. O mês vai virar e as dívidas vão se amontoar. Não se alimenta mais direito. As vezes até briga com a mulher.
Um dia quase sem esperança o seu filho pós-adolescente chega e diz:
- Pai, se você quiser eu posso fazer um acerto com o Valdemar, com o Roberto, com o Jacinto, com todo mundo.
- Meu filho, como você vai conseguir isto? Você não trabalha e não recebe salário.
- Sabe a Kátia, pai. Aquela do balet? Então. A gente tá pensado em começar uma coisa, ficar junto e vai rolar uma grana.
- Não tem nada errado não? Olha que se tiver coisa errada pode dar merda.
- Fica frio. Sem problema. A gente resolve tudo e o senhor pode trabalhar tranquilo.
- Delubinho, você tirou um peso dos meu ombro. Faz as coisas direito. Tá certo?
- Sem problema.
O tempo passou. A polícia chegou. Zezinho, coitado, foi em cana.
- Muito bonito seu Zezinho. Disse o delegado. - Como que pagou todas as suas dívidas?! Onde arranjou o dinheiro?
- Não fiz nada errado. O Delubinho mais a Kátia que estão me ajudando.
- Humm! A menina do pole dance? Explica seu Zezinho. O senho pagou R$ 8 mil pro Valdemar. R$ 11 mil do Roberto e mais uns... - Quanto foi mesmo prós outros Gurgel?
- Mais de R$ 30 mil, Dr. Joaquim!
- Pô. Só no que a gente levantou deu quase R$ 50 mil. O senhor não achou muito? Todo este dinheiro e não se preocupou em saber a origem? Acha que se esfregar num tubo rende tanto? Ainda mais divindo?
- Mas eu sou inocente. Nunca deixei uma dívida sem pagar. O Dinheiro foi o Delubinho quem arranjou. Se esforçou muito prá me ajudar. Eu não fiz nada errado!
- Não fez não? Então vamos ver. Quanta ingenuidade seu Zezinho. Nunca desconfiou? Será que o seu nome é José Ingênuo? Aires recolhe. Chama a Carmem e a Rosa prá preencher o B.O. E fala pró Luiz que quando terminar a papelada é prá levar prá detenção.
E o Zezinho coitado se f....errou.  Delubinho e Kátia agenciavam umas garotas, distribuiam uns importados dos países vizinhos e negociavam uns itens alheios. É mesmo se matando de trabalhar não teve jeito. O promotor pediu e o juiz concordou. O Zezinho, ih, não escapou. Umas férias pagas pelo Estado foi só o que conquistou. Quem mandou confiar e acreditar que dinheiro faz brotar.

Quaisquer nomes, fatos e acontecimentos reais é mera semelhança. Isto é um texto ficcional.