domingo, 28 de outubro de 2012

São Paulo: Nosferatu da Moóca e a estaca

"De onde menos se espera, daí é que não sai."
Barão de Itararé



 

Aos setenta anos o candidato que sorri apenas no Photoshop sucumbiu. O opositor que foi sem nunca ter sido está definitivamente alijado das disputas políticas majoritárias. Não possui discurso para se mostrar diferente do PT. Igual ao seu partido. Foi o candidato de um só assunto: o mensalão. Uma patética tentativa de dizer aos eleitores que o PSDB, apesar dos Paulos Pretos e Danieis Dantas, é diferente. A mesma preocupação social sem o ônus dos esquemas de poder. Esqueceu que entre o original e a cópia a tendência é a opção pelo original. O preço da derrota será o fortalecimento do PT em São Paulo e a possibilidade concreta de despejo do Alckmin do Palácio dos Bandeirantes em 2014. Outro que sempre age a favor do lulismo quando não está em jogo o seu interesse imediato. Agora senhor inconteste do tucanato paulista e faxineiro das penas espalhadas e bicos partidos estará solitário na sua tentativa de reeleição. Contará apenas com o PPS e o que restou do DEM.

O Brasil nos últimos 20 anos foi um país de partido único, com duas alas do mesmo campo ideológico disputando a supremacia. O desenrolar do processo político após a prostituinte de 1988 retirou dos demais setores ideológicos qualquer possibilidade de consolidação e crescimento para competir pelo governo federal. O Fla X Flu político entre petistas e tucanos dominou de tal modo a cena eleitoral que passou a atrair os votos por gravidade. Muitas pessoas votaram e votam contra os aspectos mais proeminentes de cada um dos grupos e não a favor de suas propostas.

A estaca cravada hoje no Nosferatu da Moóca foi o resultado da falta de discurso contundente contra os aspectos nefastos da engenharia social disseminada desde Brasília. As pesquisas qualitativas mostram que a maioria dos brasileiros não apoia a agenda governamental para a alteração dos valores morais e sociais. Porém o PSBD é incapaz de utilizar o discurso contrário, não que não tenha a competência necessária, mas por apoiar exatamente as mesmas coisas. O primeiro projeto de lei para a legalização do aborto foi apresentado pela senadora Eva Blay, do PSDB, e que ocupou a cadeira por ser a suplente do ex-presidente FHC. O estado da federação pioneiro na implantação da mordaça para banir críticas contra o gayzismo foi São Paulo. A lei foi incentivada, aprovada e sancionada pelo governador Geraldo Alckmin durante o seu mandato anterior.

As diferenças existentes entre o governo lulista e isto que se diz oposição são quase inexistentes. Não existe no Brasil nenhum grupo político organizado que possua condições para enfrentar a implantação à força destas medidas, como vem ocorrendo. São poucos os que se opõem, porém estão cada vez mais isolados e a sua capacidade de mobilização reduzida. O avanço não foi o desejado pelos autores devido as pressões realizadas por um pequeno número de parlamentares, praticamente todos de partidos da base de sustentação do governo,  que não se curvaram e não abandonaram seus princípios. Dentre eles nenhum tucano.

Nós que não concordamos com este "progressismo" e repudiamos a sua implementação não podemos permanecer reféns da classe política. Ela esta muito mais interessada em agradar os deformadores de opinião da mídia e manter os seus feudos nos órgãos públicos do que em defender os interesses e os valores dos seus eleitores.

A derrota acachapante do tucano Serra para o petista Haddad deveria servir para a uma mudança de rumos da oposição. Isto porém não ocorrerá. Começando pelo PSDB. Como o próprio grão-tucano disse hoje eles pretendem se renovar, ou seja, mais do mesmo. Jamais irão contra a sua natureza. Permanecerão como linha auxiliar do lulismo. Quem acredita que o PSDB é o antídoto para a ruína social e moral do projeto petista deve rever sua posição. O momento é de ação fora da mera participação eleitoral. As ruas não podem e não devem continuar apenas para as organizações e os movimentos controlados e financiados pelo petismo. A inação é o pior caminho. Políticos, como o derrotado José Serra, servem apenas para enfraquecer uma oposição consistente. Serra passou anos vampirizando os anseios e desejos dos cidadãos contrários ao lulo-petismo.