domingo, 21 de outubro de 2012

O esgotamento do modelo



Não sou e nunca fui inimigo dos programas sociais, nem mesmo, do vale gás, do bolsa escola, etc. jamais os chamei de bolsa esmola, como fez Luís Inácio. Não concordo é com a falta de contra partida por parte do beneficiário, a não ser a manutenção das crianças na escola. Elas deveriam ir além e o valor até poderia subir. Porém isto dificultaria a transmissão da imagem de concessão por mera liberalidade por parte do governante e não um programa institucional com direitos e deveres de ambas as partes. O que dificultaria a sua utilização para fins eleitorais. O mesmo posso dizer dos aumentos reais do salário mínimo.

Comparando o Brasil com os países de faixa de renda semelhante vemos que os "avanços econômicos" deram-se por dois motivos principais: destravamento do crédito para o consumo e a valorização da moeda. Teve mérito do Estado aqui? Sim, por motivos transversais podemos dizer. A queda da taxa real dos juros levou os bancos a emprestarem mais. O lucro de tesouraria ficou pequeno para a ganância. Porém isto só foi possível devido à relativa estabilidade da economia. Obra conjunta de três presidentes. Iniciando em Itamar Franco e consolidando com a carta ao povo brasileiro. O aumento da renda, embora constante, foi marginal neste processo.

O setor industrial que teve o maior crescimento foi o extrativo. Sem a voracidade da China por matérias primas ele não teria ocorrido. O mesmo podemos dizer da agricultura. Foram a reboque da valorização internacional das commodities. A sua grande valorização a partir do final da década de 90 foi o que possibilitou ao Brasil suas reservas cambiais em tamanho suficiente para tranqüilizar a travessia da crise da bolha de derivativos a partir de 2008 e agora a do Euro.

As áreas da indústria que apresentaram dinamismo foram as claramente beneficiadas pelo lucro Brasil. Com destaque para o setor automobilístico. Plantas (sic) produtivas instaladas no Brasil fogem completamente da escala necessária para retorno nos demais países. Visto que faturam quase três vezes mais por unidade vendida aqui do que em qualquer outro lugar do planeta. Pequenos investimentos, grandes lucros.

Quanto ao comércio e aos serviços, os grandes empregadores da era Lula, a análise também não é cor de rosa para o nosso futuro. O crescimento das vendas através da oferta de crédito, apesar dos mais altos juros mundiais, já está batendo no teto. O pior é que para os produtos semiduráveis a parcela dos xinglings é a cada dia maior.

A conjuntura internacional foi extremamente benéfica para com os países de economia dinâmica no setor primário. Mesmo com as bolhas desinfladas foram os menos atingidos. No caso brasileiro não foi mérito nenhum da política econômica do petismo. Apenas surfamos na onda de prosperidade. Após o seu refluxo estamos no último quartil estatístico do crescimento econômico, segundo o Banco Mundial. Qualquer república bananeira apresenta taxas maiores que as nossas.

As reformas necessárias não foram feitas. A educação continua lastimável. As únicas alterações introduzidas pelos haddads da vida foi a “formação cidadã” sob a ótica do partido. Ciências não importam. O que interessa é a doutrinação das humanas. A criação do homo ideologicus. Imagem e semelhança dos seus criadores, seguidores do marxismo cultural. Enquanto isto matemática, física e química são meros detalhes.

A nossa infra-estrutura praticamente não avançou. O sistema tributário continua punitivo e dispendioso. A legislação trabalhista não abre margens para negociação direta. Num período de alto desemprego a proteção estatal é necessária para a parte mais fraca. A partir do tão festejado pleno emprego ela se torna um entrave. Serve apenas para reduzir a competitividade e impedir o crescimento dos setores que dariam dinamismo à economia.

O modelo econômico herdado do tucanato se exauriu. O governo Lula não teve interesse e competência para alterar a sua rota. Na era Dilma vemos a supremacia da política do esparadrapo. É a presidência dos remendos. O tempo todo correndo para não sair do lugar. Enquanto isto o nosso futuro fica cada vez mais sombrio. O retorno ao passado de mero provedor internacional de matérias primas é uma realidade.