quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Barra Mansa: a retaguarda do atraso

Acessando o portal UOL vi o nome da minha cidade, Barra Mansa - RJ, na página inicial. Mais uma vez de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Nada de bom, principalmente neste caso.

Descobri que a Secretaria Municipal de Educação, fazendo corar de inveja os Talibãs e a Al Qaeda, está tentando implantado uma legislação similar à preceitos da Sharia num país do dito ocidente. Esté órgão público, dirigido pelo senhor Vantoil de Souza Junior, determinou que os alunos da rede de ensino da Prefeitura são obrigados a rezarem diariamente!

Depois de sediar a copa do mundo de futebol e os jogos olímpicos parece que assistiremos em breve a Idade Média. O retrocesso religioso espalha-se pelo Brasil. Aqui qualquer um parece determinado a impor suas crenças aos demais. Amparados pela desídia do STF, que na sua atual composição parece reunir os piores juízes que já fizeram parte daquele tribunal desde a sua criação. A Constituição por mais falhas que possua é infinitamente melhor que a sua interpretação pelos 11 que se colocaram acima de todos os demais poderes da República e da própria sociedade, plural, multiétnica e multicultural.

Felizmente em primeira instância esta excrescência foi derrotada por uma juíza do fórum local, mas a prefeitura municipal recorreu da decisão. Não desistiu da fé compulsória.

Atualmente vemos entraves ao avanço cultural sendo permitidos, e incentivados, em vários lugares do Brasil. Basta que os aprendizes de tirano sejam apoiados por grupos de pressão formados pelos que ainda detêm as prerrogativas coloniais. Estes movimentos quando formados por brancos, proprietários, cristãos e conservadores mal precisam gritar e ameaçar para que grande parte do ministério público e do poder judiciário curve-se ao seu comando.

Exigências por mais absurdas e ultrapassadas que sejam, geradas pelo setor arcaico e preconceituoso que desgraça o Brasil, são muitas vezes impostas a toda coletividade. A destruição do Estado laico formalizada pelo STF permitindo o ensino religioso confessional nas escolas, incluindo as públicas, foi uma das maiores aberrações das últimas décadas. Porém, não podemos negar que esta em linha com os inquéritos e processos que se transformaram em verdadeiros autos de fé nos últimos anos. Considerando que estes foram elevados pela imprensa comercial, por falsos jornalistas independentes, intelectuais de fancaria e deformadores de opiniões custeados por interesses escusos em algo que sequer pode ser criticado.

Muitos que trajam togas parecem levar mais em consideração a bajulação rasteira e os aplausos interessados da sua classe, seja nos shoppings, no cinemans, nos restaurantes ou nos clubes exclusivos que frequentam do que o seu compromisso com os direitos e garantias pessoais garantidos pela legislação. 

Envergonha residir numa cidade, num estado e num país administrado por pessoas que consideram as instituições públicas, que deveriam atender e representar a todos, uma extensão da sua casa ou da sua igreja, sujeitando-nos às suas idiossincrasias grupais.

Ato religioso à força é totalitarismo. Querem transformar o Brasil numa teocracia. Colocar o nosso país no grupo de Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes e outras ditaduras criadas e sustentadas pelo obscurantismo religioso.

Permitir que o retrocesso medieval se fortaleça é aceitar que a cidadania torne-se prerrogativa de um grupo que se coloca acima dos demais. Não será surpreendente que em breve vejamos a segregação escancarada de quem não possuir o selo de "cristão".

Religião deve ser praticada no lar, nas igrejas e até mesmo em áreas públicas abertas, desde que devidamente identificadas como reunião particular de uma confissão religiosa. Jamais em prédios públicos e muitos menos custeada com dinheiro dos impostos pagos por todos.

Justiça proíbe reza obrigatória e prefeitura recorre


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Olavo de Carvalho prefere nazista a antifascista

O astrólogo e guru da direita brasileira chama de terrorista quem luta contra todas as formas de discriminações. Para ele um nazista autêntico, os mesmos genocidas que assassinaram milhões, são pacíficos e inofensivos quando comparados aos que se opõem à sua ideologia conservadora.

Na sequência:
No original:


domingo, 19 de março de 2017

Uma nação aparentemente desgovernada

Desde as manifestações sem razão de 2013 até à operação carne fraca uma coisa fica clara: o Brasil aparenta estar total e absolutamente desgovernado. Com a crise econômica e as medidas tomadas pelo governo golpista empurrando-nos rumo ao precipício acredito no caos provocado. 
As causas principais, agora utilizadas, nasceram com a nova república. São filhas da constituição de 1988. O poder judiciário absoluto, um quarto poder informal e o executivo de coalizão. Um mero juiz de primeira instância pode desorganizar política e economicamente todo o país. Em todos os níveis da administração pública vemos feudos dominados por grupos partidários em benefício próprio.
Os constituintes confundiram autoritarismo com autoridade e nos legaram a libertinagem. Criaram um verdadeiro poder que atende pela alcunha de ministério público. Deram ao judiciário um predomínio desconhecido em qualquer lugar do planeta. Ao mesmo tempo permitiram que o sistema político incentivasse a proliferação de partidos com o único objetivo de assegurarem o futuro dos seus dirigentes.
Para agravar o quadro já caótico tivemos um republicanismo imbecil dominando os governos federais do PT. Em nome da autonomia funcional e da não intervenção nos órgãos da administração pública, permitiram o descontrole das instituições do Estado. 
Com a fragmentação da estrutura do poder, grupos começaram a formar alianças em defesa dos seus interesses. Ao mesmo tempo iniciavam o recrutamento dos idiotizados pela mídia como massa de manobra. O nível de descontrole está tão elevado que um delegado da polícia federal, a partir de casos pontuais, provoca um escândalo mundial afetando todas as empresas brasileiras do setor pecuário, sem nenhuma preocupação com as repercussões da sua iniciativa.
Setores econômicos inteiros estão desaparecendo na fogueira das vaidades dos bacharéis concursados. A indústria naval, a engenharia pesada e grande parte da área metal-mecânica deixou de existir ou perdeu a capacidade de concorrer internacionalmente. Agora parece ser a vez do agronegócio. 
O protagonismo desenfreado de funcionários públicos intocáveis, alimentados pela publicidade fácil dos meios de comunicação, está consolidando a posição do grande vitorioso desta desordem institucional premeditada: o consórcio midiático-financeiro. Até mesmo aliados de primeira hora destes dois bandos, a antiga burguesia do setor produtivo, começa a sucumbir. Nem mesmo a extorsão dos poucos direitos do grande derrotado desta conjuração, o povo em geral, e o assalariado em particular, será capaz de reverter o seu enfraquecimento.

Com o prolongamento da crise o discurso de restauração da lei e da ordem terá cada vez mais adeptos. Incentivados por quem a aprofundou. A solução do consórcio midiático-financeiro terá basicamente dois eixos, a ser seguido pelo governo da sua escolha. A vertente econômica, com a liquidação de direitos trabalhistas e sociais, em prol de um futuro distante e incerto; a entrega do patrimônio público em privatizações “moralizadoras” de baixo custo e a consolidação do seu controle sobre a economia. Por outro lado teremos também a supressão de direitos políticos e individuais. A relativização dos direitos e garantias pessoais fundamentais já está ocorrendo, e é visível em todas as operações judiciais que ocupam as manchetes da imprensa, ao mesmo tempo temos o retorno da criminalização das manifestações e movimentos contrários ao que está sendo colocado em prática no Brasil. 


sábado, 7 de janeiro de 2017

Blogs sujos e notícias falsas

Seis agências de espionagem dos EUA acusam em relatório à Rússia de influenciar o resultado final das eleições presidenciais. Como? Roubo e vazamento de informações confidenciais, publicação de notícias falsas e a disseminação delas pelas redes sociais. Para os burocratas dos porões a vitória de Donald Trump foi uma fraude orquestrada do exterior. Agora os russos querem fazer o mesmo na Europa. Neste ano teremos eleições em vários países europeus, incluindo os principais da zona do Euro: Itália, França e Alemanha. Provas? Nenhuma. Relataram convicções. Não se pode negar que o MPF do Brasil faz escola ou estudou na mesma.

Alguém se lembra de reportagens mostrando o arsenal de armas de destruição em massa de Saddam Hussein? Os americanos invadiram, destroçaram e pilharam o Iraque, nada encontraram. Os espiões que acusavam o então ditador iraquiano são os mesmos que agora incitam a tirania escancarada em defesa da "imprensa livre", contra as manipulações que visam subverter a ordem democrática.

No Brasil os jornalistas que não seguem o esquema de doutrinação lesa-pátria através da imprensa são os blogueiros sujos, não obedecem o padrão gloebbels de qualidade. Agora no exterior assistimos ao nascimento das redes de notícias falsas. São todas aquelas que não repercutem com o mesmo viés as informações de interesse da elite política e econômica que controlam os países.

A União Europeia criou e está fortalecendo o StratCom, uma força tarefa especializada em monitorar o que é publicado. Políticos europeus pretendem com o seu serviço promover a liberdade de imprensa, livre de que eu me pergunto; recompensar a responsabilidade, ou garantir o monopólio das notícias aos grupos coligados; fechar os canais que divulgam desinformações, novo nome para a censura. Movimentações neste sentido já se iniciaram nos EUA. A mídia corporativa inclusive já fez a lista dos sites de notícias falsas. Se aqui no Brasil quem não segue o modelo de lavagem cerebral da Rede Globo é sujo, lá se não adota os parâmetros do New York Times, Washington Post, CNN, etc. é falsário.

Esta é uma questão que transcende a disputa direita versus esquerda. Os alvos preferenciais no momento, no exterior, nada têm de esquerdistas, talvez pela esquerda politicamente organizada e as ongs a ela ligadas trabalharem como linha auxiliar das elites governantes, como os europeus Syriza e Podemos. Sem esquecer o PT brasileiro. Aliás, se alguém for capaz de me dizer que o nome do partido do Pablo Iglesias não é a submissão ao "yes, we can", de Obama, eu agradeço.

Pressões estão sendo feitas contra as empresas que controlam os sites de interações pessoais (Facebook, Twitter, You Tube, etc.) para controlarem as postagens dos usuários. Uma censura relativamente fácil, bastando para isto à adequação dos logaritmos para a análise das palavras e as suas combinações. Uma busca automática dos textos, das imagens e dos vídeos inadequados. Por exemplo, dizer que a crise na Ucrânia é muito mais complexa que uma invasão expansionista russa do seu território, enquadra-se no que atualmente é uma falsa notícia para os padrões de Washington e Bruxelas. Análise que seria barrada no admirável mundo novo que planejam. 1984 está no horizonte.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Olavo de Carvalho, que burro dá um zero pra ele

Quando o sujeito acredita que é um gênio é capaz de merda como esta:



Mantendo a ordem que a anta tuitou... 

Se cada um dos dez milhões de índios tivesse 800 km2, a área total do Brasil seria de 8 bilhões de km2. Umas dezesseis vezes a superfície total do planeta considerando os oceanos como terra ou então 53 vezes maior desconsiderando os mares. Os índios tinham o planeta Urano e não sabiam...

Para comprovar a monumental burrice repetiu o cálculo, a prova dos nove da anta da Virgínia, dividiu os noventa e poucos mil km2 de Portugal por 800. Cagou e sentou em cima... 


domingo, 20 de novembro de 2016

Supremacia branca

A vitória de Donald Trump está servindo como catalisadora para ideologias da pior espécie. Não pelo homem em si, mas pelo simbolismo que passou a representar.

O processo eleitoral no principal país cria ondas que afetam todas as regiões do mundo. Embora economicamente continue no seu declínio relativo, mantém diplomática e militarmente o posto, no momento ainda inconteste, de única superpotência. O vencedor foi o candidato ruim, a principal derrotada era ainda pior. Hillary Clinton seria a exacerbação da agressividade externa de Bill Clinton e Bush Jr. Nesta questão Trump ainda é uma incógnita, apenas após a sua posse teremos noção do caminha que seguirá. Entre a certeza e a dúvida, prefiro esta última.

O discurso radical para o seu eleitorado fez com que várias vezes Donald Trump roçasse a fronteira do racismo. Disparando em todas as direções palavras que alimentam o preconceito, chegando muitas vezes próximo da linguagem de ódio. Isto passou a incentivar pessoas e grupos, que muito além do populismo eleitoral, realmente acreditam nestas ideias. Podem ser definidos majoritariamente como conservadores, na acepção clássica, e complementados por quem se diz liberal ou libertário. Todos com um traço em comum, acreditam no destino manifesto da tal sociedade ocidental judaico-cristã, seja lá o que isso for.

O discurso padrão não é à primeira vista supremacista, porém o faz de modo dissimulado. Isto já algum tempo. A partir de agora com maior intensidade. Como este twitter:


Testes aplicados 73 anos atrás, sem a sua exata contextualização, qual relevância possui hoje? O seu objetivo, Foi extraído de um estudo que considera que o mercado de trabalho competitivo anula a disparidade de renda motivada por preconceitos raciais: Discriminação e mobilidade ascendente dos asiáticos nos EUA. Assim justificando o hiato existente para com os negros.

Stefan Molyneux é uma celebridade nos meios liberais da internet, e algumas das suas posições alimentam os conservadores, No Brasil também, principalmente após um debate com o Vladimir Safatle, ocorrido há alguns anos. Utiliza basicamente a retórica, mas ao ir ao encontro das crenças dos ouvintes suas palavras tornam-se fatos incontestáveis. Como no vídeo A verdade sobre Nelson Mandela , de quase três anos atrás. Postado hoje num canal brasileiro do Youtube, dentre outras coisas defensor da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. Em mais de vinte minutos de falatório concluímos que para o Stefan o fim do apartheid, na África do Sul, foi um mal.

Não me enquadro no politicamente correto. Em alguns assuntos, poucos, sou tradicionalista, porém, o que tenho observando não é o ovo da serpente ser chocado: é continuar botando muitos ovos, como este. Os que não concordam com esta ideologia estão omissos, basicamente pelo medo. Trancam-se em seus guetos e conversam apenas com os seus iguais, fogem do confronto e cedem o terreno para a consolidação do horror. Do que têm medo? Serem chamados de esquerdistas, comunas ou petralhas complementados por outros adjetivos?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Golpe militar

Os militares que tentaram o golpe na Turquia e as típicas classes média e alta brasileiras possuem a mesma visão, vitória em eleições não legitima o governante. Somente quando favoráveis aos seus interesses podem exercer o poder. Claro que existem algumas exceções aqui, mas nos últimos tempos claramente minoritárias.
Pouco se sabe sobre a conspiração. Apenas que foi um fracasso. O efeito imediato da intentona é o fortalecimento do presidente Erdogan. Aliás, por quem não tenho a menor simpatia. Jamais votaria em algum político com as mesmas características para a presidência, ainda mais sabendo que poderia ser o vitorioso. Para mim ele consegue reunir no mesmo indivíduo o que de pior existe nos deputados Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano: totalitarismo e fanatismo.
Sempre que um assunto desperta a minha atenção, concentro-me mais nos comentários dos leitores que no texto jornalístico. Neste caso também foi o que fiz. O resultado não me surpreendeu. A quase totalidade dos coxinhas ficou ao lado dos golpistas. Não importando que há menos de dois anos Erdogan tenha sido eleito com mais de 50% dos votos. Como são fascinados por uma farda. Uma verdadeira fascinação.
Neste caso não importa o atroz histórico do presidente turco e do seu partido. Até porque muitos dos seus excessos são comuns aos governos daquele país. Principalmente a repressão contra as minorias étnicas, especialmente a curda. A questão da laicidade também não esteve presente, a oposição laica em nenhum momento fez qualquer menção de apoiar os golpistas. Inclusive para o governo o inspirador foi um clérigo islâmico, Fethullah Güllen, atualmente em autoexílio nos EUA. Uma espécie de Olavo de Carvalho 3.0.

O natimorto golpe bruto contra o governo turco traz semelhanças com o quase vitorioso suave daqui, comandado por Michel Temer. Ao invés de caças, helicópteros, tanques e soldados temos a imprensa familiar, promotores e juízes. Sempre instituições e pessoas que representam apenas a si próprias. Em ambos os casos a tomada do poder por quem não possui méritos para conquistá-lo através dos votos do povo.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Existe algo pior


A corrupção aparente destruiu a governabilidade de Dilma Rousseff. Dois anos de escândalos constantes, envolvendo o PT e os partidos aliados, a afastaram da presidência da república. Em seu lugar temos no momento um antigo aliado. Figura que estaria melhor desempenhando o papel, num filme trash, de mordomo envenenador ou assistente de algum Dr. Frankenstein. Talvez dividindo a tela como Renfield para o Nosferatu da Moóca. Ao menos possui o physic du role para vilão. Ao contrário da búlgara, que para esse tipo de personagem não tem a aparência ou a personalidade. Um governo que perdeu a representatividade foi substituído por outro sem nenhuma legitimidade. No momento temos o vácuo e quem o está ocupando?

Na política institucional vemos o avanço dos plutocratas, agora sem nenhum pudor, e dos fundamentalistas religiosos. Economicamente preconizam, ou melhor, exigem em troca de apoio, medidas que vão ao encontro dos seus interesses. Desmantelamento do SUS em benefício das empresas privadas de seguro saúde. Asfixia da imprensa, antigamente chamada alternativa, com o cancelamento de contratos de publicidade com o poder público, e consequente realocação das verbas para as tradicionais famílias midiáticas. Supressão da legislação trabalhista e dos direitos ali garantidos. Ajustes e reformas que privilegiarão o setor financeiro especulativo em detrimento dos programas sociais. Uma Genebra calvinista, sem a preocupação com o social. Por aí vai e de mal a pior.

Por outro lado temos a participação política que muitas vezes aparenta ser individual, mas devido à repetição do discurso vemos que não. Pessoas que se rotulam como conservadoras ou liberais, algumas até como libertárias. Muitas agregam ainda o cristão como mais um adjetivo. Na sua quase totalidade pregam em si próprios o dístico: de direita! Um rótulo que significa apenas preconceitos de todos os tipos, incluindo em muitos casos o racismo velado, e um Estado mãe para si mesmos e verdugo para os outros. O velho discurso do mérito, das pessoas bem nascidas. Nas redes sociais e nos espaços de comentários dos sites jornalísticos esses são predominantes. Defesa constante da casta a qual pertencem.

Essa minoria que se faz ouvir, basicamente da classe média para cima, é chamada de povo pelos seus líderes. Algo como Higienópolis falando por São Paulo ou o Leblon pelo Rio. Ao mesmo tempo a maioria do povo não se faz ouvir. Pesquisas de institutos, contratados pela mídia, são um tênue reflexo do que pensam as pessoas que não se manifestam publicamente. O chavão da maioria silenciosa aplica-se a este caso. O que ela realmente deseja não sabemos. Sobre suas costas recairá o custo do ajuste exigido para a obtenção do apoio que efetivará o golpe. Principalmente a perda dos direitos sociais. No entanto ela permanece bovinamente estática. Até o momento. Porém existe algo ainda pior. Também para ela.

Os protestos contra a corrupção e a mobilização na internet feita por pessoas economicamente favorecidas, com instrução superior e moralidade distorcida, gerou algo muito pior que os malfeitos financeiros expostos pela Lava a Jato. Uma onda de intolerância e violência retórica que está alimentando uma ideologia totalitária. Embora muitos se escondam no anonimato, diversos já utilizam os próprios nomes, e o que escrevem é assustador. Em alguns momentos ao ler os comentários tenho a impressão que são nazistas referindo-se aos judeus. Embora a impressão em geral seja a de que ainda estejamos na guerra fria. Sentem-se ameaçados por outros, baseando-se em estereótipos, e possuem tal pavor de um perigo vermelho que falta pouco para publicamente elevarem alguém a füher.  


P.S.: Um dos líderes da minoria bem nascida, por seus seguidores considerando um gigante intelectual, foi capaz de dizer que são fatos:


Olavo Bogus de Carvalho aceita e divulga algo que deveria saber ser mentiroso, afinal é considerado um profeta por seus acólitos (olavetes). A mentirosa inversão dos percentuais, tendo em vista que 82% dos brancos assassinados o foram por outros brancos e 15% por negros, conforme estatística do FBI abaixo, é uma forma para justificar a violência policial. O Estado unicamente como agente repressor é parte essencial do discurso dele e de seus iguais, para garantir os privilégios de quem controla a força. Tanto nos EUA quanto no Brasil. 





domingo, 10 de julho de 2016

O trabalho liberta

Na semana passada descobrimos que o Século XIX ainda não acabou. A plutocracia brasileira reunida com o vice-presidente em exercício da presidência da república, Michel Temer, planeja o retorno ao início da segunda revolução industrial. Pelo menos no que diz respeito aos trabalhadores.

Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, emula a FIESP pré era Vargas. Quando os grandes empresários paulistas eram contra a regulamentação da jornada de trabalho e das férias anuais remuneradas, dizendo, dentre outras aberrações escravagistas, que o período de descanso serviria apenas para a gentalha dar vazão aos seus mais baixos instintos. Para eles o trabalhador deveria estar constantemente exercendo o seu ofício, caso contrário retornaria à condição primitiva inerente às classes inferiores, assim por eles consideradas.

O Brasil da conjuração empresarial-evangélica é uma distopia que se materializa. O clamor da classe média midiotizada, pelo fim da quimérica corrupção nascida com o PT, entregou os destinos do país a um grupo que sequer pode ser considerado retrógrado. Afinal nunca caminharam para frente. Permaneceram presos aos tempos de antanho. Culturalmente subordinada à interpretação bíblica dos mercadores da fé. Economicamente dependente dos desígnios dos barões ladrões. A fala do presidente da Confederação Nacional da Indústria e o que diz gente como Silas Malafaia estão no mesmo estrato arqueológico.

Os discursos bíblicos da obediência sejam aos pastores, patrões e autoridades, é utilizado para encabrestar os evangélicos. Produzindo frutos podres como o deputado Eduardo Cunha. Ao mesmo tempo em que auxilia outros políticos defensores dos interesses econômicos dos empresários. Embora nem todos falem em nome de Deus, o resultado final é o mesmo. Unem-se na luta contra os seus próprios direitos a turma da Bíblia e a da Globo News. Alguns movidos pela lavagem cerebral nos templos, outros pelo que emana dos monitores.

O comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes ao solo tornar-se-á realidade no Brasil. As alterações propostas na legislação trabalhista e previdenciária fará com que o trabalho liberte. Libertará o empregado da qualidade mínima de vida e da aposentadoria.



O trabalho liberta

Na semana passada descobrimos que o Século XIX ainda não acabou. A plutocracia brasileira reunida com o vice-presidente em exercício da presidência da república, Michel Temer, planeja o retorno ao início da segunda revolução industrial. Pelo menos no que diz respeito aos trabalhadores.

Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, emula a FIESP pré era Vargas. Quando os grandes empresários paulistas eram contra a regulamentação da jornada de trabalho e das férias anuais remuneradas, dizendo, dentre outras aberrações escravagistas, que o período de descanso serviria apenas para a gentalha dar vazão aos seus mais baixos instintos. Para eles o trabalhador deveria estar constantemente exercendo o seu ofício, caso contrário retornaria à condição primitiva inerente às classes inferiores, assim por eles consideradas.

O Brasil da conjuração empresarial-evangélica é uma distopia que se materializa. O clamor da classe média midiotizada pelo fim da quimérica corrupção nascida com o PT, entregou os destinos do país a um grupo que sequer pode ser considerado retrógrado. Afinal nunca caminharam para a frente. Permaneceram presos aos tempos de antanho. Culturalmente subordinada à interpretação bíblica dos mercadores da fé. Economicamente dependente dos desígnios dos barões ladrões. A fala do presidente da Confederação Nacional da Indústria e o que diz gente como Silas Malafaia estão no mesmo estrato arqueológico.

O discurso bíblico da obediência, seja aos pastores, patrões e autoridades, é utilizado para encabrestar os evangélicos. Produzindo frutos podres como o deputado Eduardo Cunha. Ao mesmo tempo em que auxilia outros políticos defensores dos interesses econômicos dos empresários. Embora nem todos falem em nome de Deus, o resultado final é o mesmo. Unem-se na luta contra os seus próprios direitos a turma da Bíblia e a da Globo News. Alguns movidos pela lavagem cerebral nos templos, outros pelo que emana dos monitores.

O comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes ao solo tornar-se-á realidade no Brasil. As alterações propostas na legislação trabalhista e previdenciária fará com que o trabalho liberte. Libertará o empregado da qualidade mínima de vida e da aposentadoria.


domingo, 3 de julho de 2016

Ruína

Os formadores de opinião da direita brasileira, do conservadorismo, do liberalismo, seja lá do que for é um balaio de gatos. Uma batalha de egos inflados, provavelmente pela combinação de metano e sulfeto de hidrogênio. Todos querem os despojos do petismo e afirmam a responsabilidade pela sua derrocada.

Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro, Reinaldo Azevedo, Silas Malafaia, Rodrigo Constantino, a molecada dos ditos movimentos de rua e pastores que fazem chapinha não diferem do Alexandre Frota e da Sara Winter. Alguns desejam aparecer e os demais uma participação com quem suceder.

A verdade que surge após estes dois anos de crise política é na realidade uma: o sistema político-partidário brasileiro e corrupto e está podre. Sem a sua total destruição não existe solução. Não importa o que dizem os citados ou os participantes da aliança interina. Não interessa o discurso boçal nato do Jair, o macarthismo do Carvalho e dos olavetes ou as palavras vazias dos demais. Nada disto alterará a realidade brasileira. Aliás, a tendência será o aprofundamento dos males nacionais.

O "estado a que chegamos", com o PT, não acabará com o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff. Retornaremos com ele à era anterior. Quem a viveu sabe como foi. É preciso avançar. O retrocesso perpetuará e aprofundará as mazelas conhecidas pelos que possuem quarenta anos ou mais. A não ser pelos cidadãos brancos, proprietários e da meia idade para cima, a maioria daqueles que foram às ruas nos últimos meses. Elementos que se beneficiavam no passado com as assimetrias da sociedade.

Acreditar que existe solução fora do embate político é lavar as mãos para a tirania. Não importa que sejam pessoas com aparência impoluta e honesta, pois todos são movidos por impulsos que no fim são políticos. O Brasil necessita além de eleições gerais, sem o dinheiro das empresas e com espaço igual livre na mídia, da convocação de uma nova Constituinte. O Estado criado pela Constituição de 1988 está morto. Confiar cegamente em quem veste toga ou recorrer à farda é abdicar da cidadania. Não existem reis filósofos que possam substituir a vontade do povo.